O astro ao chegar ao tribunal: caravana
de fãs, revista e bronca do juiz.

Santa Maria – Foi um alvoroço. A ida de Michael Jackson a um tribunal para ouvir as acusações de pedofilia que pesam contra ele virou, como esperado, um show de mídia, transmitido ao vivo para todo o mundo. O juiz Rodney S. Melville perguntou a Michael Jackson se ele conhecia as acusações. O astro respondeu que sim. Em seguida, perguntou qual a posição que ele assumia diante delas e ele respondeu em voz baixa: “Inocente”.

“As mentiras disputam 100 metros, mas a verdade completa maratonas”, afirmou Michael, que foi repreendido pelo juiz por ter chegado atrasado ao tribunal. A segunda audiência foi marcada para 13 de fevereiro, ao que o advogado do astro, Mark Geragos, brincou: “Não podemos evitar esta data?”. O cantor porém não é obrigado a comparecer.

Michael Jackson responde por nove acusações – sete por assédio sexual a um menor de 14 anos e duas por haver dado substância tóxica (vinho) ao garoto em seu rancho Neverland (Terra do Nunca), no condado de Santa Barbara. Ele pagou fiança de US$ 3 milhões (cerca de R$ 8,4 milhões) para responder o processo em liberdade. Caso seja considerado culpado, Michael Jackson poderá ser condenado a penas que somam 11 anos de prisão.

O “rei do pop” chegou a Santa Maria, uma cidade de 80 mil habitantes, em sua caminhonete negra, cercado por seguranças e acompanhado pelo advogado. Trajando roupas pretas, sapatos de verniz também negros e óculos de sol, ele saudou os milhares de fãs – muitos aos prantos – que chegaram de várias partes do mundo organizados na chamada “caravana do amor”. Circundando o tribunal, dezenas de equipes de TV de vários países disputavam o melhor ângulo para flagrar o astro.

Em meio aos gritos dos fãs e cartazes com frases como “Força, Michael” e “Deus está com você”, o astro passou por detectores de metal e entrou na sala do tribunal, onde saudou as cerca de 70 pessoas presentes ao local – incluindo seus pais Joe e Katherine e seus irmãos Jermaine e Janet – com os dedos em “V”.

Eram 8h30 (horário local), e o clima de show foi quebrado logo que Michael, que chegou 21 minutos atrasado, sentou-se em frente ao juiz Rodney Melville. “Jackson, você começou com o pé esquerdo. Quero advertir-lhe que não vou tolerar isso. É um insulto à corte. Tem de chegar na hora. Está claro?”, advertiu o juiz. Michael apenas assentiu com a cabeça e disse “sim”. O cantor e seus assessores em nenhum momento deram uma justificativa para o atraso.

Na saída do tribunal, enquanto seu cliente era novamente assediado pelo público e pela imprensa, o advogado anunciou que reforçará seu time com Benjamin Brafman. Trata-se do mesmo advogado que defendeu e conseguiu a absolvição do cantor de rapp Sean Puff Daddy Combs, acusado de suborno e porte de armas.