Em tempos em que sucesso profissional e boa forma física andam lado a lado nas aspirações de vida de toda mulher, a gastronomia como hobby tem perdido espaço entre as donas de casa do novo século.

Talvez por isso, o espírito libertário de comer sem culpa da chef Julia Child, interpretada pela atriz Meryl Streep, diante de suas panelas nos anos 60 seja o grande trunfo de “Julie & Julia”, que estreia nos cinemas do País.

Mais do que falar sobre receitas e modos de cozinhar, o filme da diretora e roteirista Nora Ephron (nome por trás de comédias românticas como “Mensagem para Você”, de 1998, e “Harry & Sally, Feitos Um Para o Outro”, de 1989) parte da trajetória da famosa chef norte-americana Julia Child (1912 – 2004) para recordar o lema de cozinhar e comer por prazer.

No papel principal, Meryl Streep contou com ajuda de cenários em dimensões inexatas e os ângulos certos das câmeras para enganar seus 1,68 m de altura como a grandalhona californiana de 1,88 m. Julia é casada com o diplomata Paul Child (Stanley Tucci), enviado a serviço para a França.

Sem saber o novo idioma, Julia o acompanha e se apaixona pela mais fina gastronomia do mundo. Para arranjar uma ocupação, ela decide ingressar em uma escola de gastronomia, mas logo percebe que seus talentos culinários estão à frente das principiantes.

Mas é a partir de outra mulher em outra época, Julie Powell, uma jovem frustrada à beira de completar 30 anos em 2001, que a herança gastronômica de Julia Child é relembrada – e revivida.

Julie, interpretada por Amy Adams, é uma funcionária do governo norte-americano e passa os dias em seu cubículo ao telefone, ouvindo reclamações referentes à tragédia das Torres Gêmeas, em 11 de setembro de 2001, em Nova Iorque.

Quando chega em casa, a apertada cozinha da quitinete que divide com seu marido torna-se seu refúgio da carreira malsucedida. No comando do fogão, Julie, seguidora da lendária Julia Child, espairece e usa de criatividade para criar receitas deliciosas.

Então, Julie tem a ideia de testar uma a uma das receitas da bíblia da culinária – o livro de Julia – e lança o desafio a si mesma com um blog: The Julie/Julia project. Durante um ano, as 534 receitas da chef serão testadas, e a experiência será relatada em sua página na internet.

As duas histórias transcorrem paralelamente, e o filme se divide entre a briga por reconhecimento de Julia Child nos anos 60 e, mais de 40 anos depois, a tentativa de Julie Powell de tornar-se, à sua maneira, uma grande chef. As informações são do Jornal da Tarde.