| Pedro Paulo Figueiredo/Carta Z Notícias |
| Bete Mendes é a quinta Dona Benta da tevê. continua após a publicidade |
Interpretar a Dona Benta no Sítio do Pica-pau Amarelo, da Globo, tem um significado especial para Bete Mendes. Em quase 40 anos de carreira – seu primeiro trabalho profissional foi no teatro, em 1968, na peça A Cozinha -, a atriz nunca tinha feito algo específico para o público infantil. ?Em Meu Pé de Laranja Lima, eu adorava contracenar com as crianças, mas era novela, tinha um público diversificado?, lembra.
Depois de pouco mais de dois meses no ar, Bete conta que o retorno de público do Sítio não se restringe aos pequenos. Desde que a nova temporada do programa estreou, há pouco mais de dois meses, a atriz não consegue mais sair nas ruas sem que pessoas de todas as idades comentem sobre a nova condição de avó na tevê. ?Acho bacana porque tudo na minha vida aconteceu na fase certa. Já fui musa, ?namoradinha?, titia e, agora, tenho orgulho de ser vovó?, diz.
P – Você emendou o Sítio do Pica-pau Amarelo com a novela Páginas da Vida. O que mais motivou sua decisão de aceitar o convite?
R – Vou fazer uma comparação que parece estranha, mas não é. As histórias do Harry Potter são fantásticas. A escritora inglesa J. K. Rowling se tornou um dos maiores sucessos do mundo depois que descobriu como trabalhar essa ingenuidade. Não tiro o mérito dela, mas o Monteiro Lobato é maior, porque conta a nossa história, a nossa memória. E tem essa mesma ingenuidade, com personagens em relações saudáveis.
P – Que tipo de relações?
R – Normais, de família e amizade mesmo. Não existem seres superiores poderosos, a solução está sempre no amor. As crianças de hoje em dia não sabem mais o que é um estilingue, não brincam como antes. Vejo a Emília como uma das criações mais fantásticas da história mundial. É uma menina crítica, charmosa e de pano, que é um material tão simples. O Sítio do Pica-pau Amarelo é um dos poucos programas da tevê atualmente que resgatam isso.
P – Essa é a primeira obra infantil de sua carreira. O que você está achando dessa mudança?
R – Tudo que é novo traz motivação. Eu estou empolgada e feliz. Como grande parte da população brasileira, eu lia os textos do Monteiro Lobato desde pequena e era apaixonada por suas obras. O considero um dos maiores autores do mundo não só para as crianças, mas para todo o imaginário do público em geral. O nosso país tem mitos lúdicos e fantásticos como Cuca, Caipora, Mula-sem-cabeça, Saci Pererê, entre vários outros, e ele trabalha bem esse tipo de literatura. Além disso, tem essa relação linda da avó com seus netos e com a Tia Anastácia.
P – Você é a quinta Dona Benta da tevê. Como foi o trabalho de composição com tantas referências?
R – Cada atriz tem sua forma de trabalho. Gostei de todas que interpretaram, principalmente a Zilka Salaberry. Mas como a idéia é se prender ao máximo ao texto original, me recordei da Dona Benta que conheci através do livro. É claro que foi tudo muito rápido, não deu para fazer uma pesquisa profunda, mas se o texto segue essa linha, é melhor usar essa estratégia.
P – Você foi musa na década de 60. Como é a sensação de se transformar em Dona Benta?
R – Me orgulho de tudo na minha carreira e acho que tive uma trajetória muito bonita. Nesse tempo eu já fui musa, ?namoradinha do Brasil?, mamãe, titia e, agora, sou vovó. Sei que nem todo mundo lida bem com isso, mas acho lindo viver a vida no tempo certo. Tive um problema de saúde sério que não me deixou ser mãe. Fico feliz porque agora começa o meu prazer de viver a vovó exemplar na tevê.