São 175 horas de música, distribuídas em 118 discos, nos quais cabem interpretações de 250 artistas, em alguns casos das mesmas obras: essa é a conta do selo Deutsche Grammophon. Já no selo Naxos, uma pequena variação: 90 discos apenas (apenas?), com mais de cem horas de música, contemplando tudo o que Beethoven escreveu.

As duas caixas chegam ao mercado internacional em novembro, largando na frente na lista de lançamentos aguardados para marcar os 250 anos de Beethoven, em 2020. A data já provoca uma avalanche de eventos e iniciativas no mundo musical – já há quem diga, inclusive, que o ano apenas inaugura um ciclo que só vai se encerrar em 2027, quando se completam os 200 anos de morte do compositor.

Não que Beethoven precise de efemérides para ser tocado – suas obras encabeçam as listas de obras mais tocadas em todo o mundo (caso alguém tenha ficado curioso, a n.º 1 costuma ser a Quinta Sinfonia). Mas o aniversário sugere novas leituras.
O maestro catalão Jordi Savall, por exemplo, vai realizar academias especiais nas quais o músico e o público terão a chance de refletir sobre as sinfonias de Beethoven, que só então serão gravadas pelo regente e sua orquestra.

A caixa da Deutsche Grammophon, por sua vez, traz fragmentos de obras recém-encontradas nos documentos do compositor, além de um longo ensaio sobre sua obra, o estado de seu acervo e um inventário das pesquisas e descobertas mais recentes.
Também inclui uma nova gravação das nove sinfonias do autor pelo maestro letão Andris Nelsons, escolhido para levar adiante a tradição de grandes intérpretes que registraram as obras com a Orquestra Filarmônica de Viena. E o registro das Variações Diabelli, pelo pianista Rudolf Buchbinder, vem intercalado com novas obras que dialogam com Beethoven (o violoncelista Antonio Meneses fez algo parecido com as suítes de Bach no início dos anos 2000).

Na Alemanha, os festejos ganharam cores oficiais e giram em torno de cinco olhares a respeito do compositor: Beethoven como cidadão, compositor, humanista, visionário e amante da natureza. O governo está investindo cerca de ¤ 37 milhões em programações especiais, muitas delas concentradas em Bonn, cidade natal do compositor. Lá, havia inclusive o plano da construção de um novo teatro, que acabou, no entanto, sendo abandonado. Mas um festival terá concertos em todos os 366 dias de 2020, com o museu dedicado ao compositor montando também exposições especiais para marcar a data.

Em outras cidades pelas quais passou Beethoven, como Viena, a programação inclui festivais e apresentações em diferentes palcos, do Palácio de Schönbrunn ao Musikverein, passando pelo apartamento onde escreveu o célebre Testamento de Heiligenstadt, no qual fala abertamente do impacto que a surdez começava a ter em sua vida e carreira.

No Brasil

O Brasil também participa da festa, integrando projetos internacionais. A Orquestra Sinfônica Heliópolis, por exemplo, é uma das protagonistas de um documentário feito pelo cineasta alemão Claus Wieschmann, que gravou apresentações da Sinfonia n.º 9 do compositor em diferentes países do mundo.

E a Osesp abre, em dezembro, um projeto do Carnegie Hall também em torno da Nona: a obra será apresentada ao longo do ano por nove orquestras diferentes, em nove países, sempre com regência da maestrina norte-americana Marin Alsop. Em todos os concertos, o texto do movimento final da peça, que fala de igualdade entre os homens, será cantado em traduções para o idioma local.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.