Masp precisa de 1 milhão de dólares

Em tempos de grande espetacularização da cultura, parece cada vez mais difícil que um museu cumpra suas principais atribuições: colecionar, conservar e estudar seu acervo. Exige-se cada vez mais dessas instituições a obrigação de realizar eventos capazes de atrair a atenção da mídia e do público com promessas sensacionais e, de preferência, por um curto prazo de tempo.

Esse panorama vem prejudicar ainda mais a crítica situação do Museu de Arte de São Paulo (Masp), que enfrenta uma forte crise financeira e administrativa que vem levando a instituição a uma tal situação de descrédito que somente a injeção de sangue novo (como disse o presidente Julio Neves) ou uma mudança na cúpula que controla a instituição – no entender da crescente oposição à gestão centralizadora e pouco transparente de Neves – parece capaz de sanear.

Luiz Marques, que foi curador do museu até 1997 e continuou prestando consultorias à instituição até poucos meses atrás, diz que os dois problemas cruciais do Masp são a falta de recursos para restauração e aquisição.

Marques estima em cerca de US$ 1 milhão a verba necessária para financiar uma séria campanha de restauro no museu.”

Com o intuito de mobilizar a sociedade em busca de uma solução para o impasse que o Masp vem vivendo, uma série de eventos estão sendo programadas. Dentre eles, a distribuição de lambe-lambes pela cidade e a realização de uma grande manifestação no vão livre do museu. A grande dificuldade é a inexistência de interlocutores claros, já que não se sabe nem ao menos o nome de todos os sócios que elegerão ou reelegerão o próximo presidente, em outubro. O Masp não é, como pensam alguns, uma instituição privada, um clube como o Pinheiros ou o Harmonia que preservam, com pleno direito, a identidade de seus membros. Sociedade civil sem fins lucrativos, ele é depositário e responsável por uma das maiores riquezas artísticas e culturais do País.

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