Quando subir ao palco da Sala São Paulo hoje à noite, a maestrina norte-americana Marin Alsop fará sua estreia oficial como regente titular da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, colocando fim a um longo e delicado processo de sucessão iniciado com a demissão do maestro John Neschling no fim de 2008.

O primeiro contato da agora titular com seus músicos se deu longe das câmeras dos fotógrafos e dos blocos de anotação dos jornalistas. Alsop chegou no fim de semana a São Paulo; na segunda, trabalhou individualmente com os naipes da orquestra; e, na terça de manhã e no começo da tarde, proibiu o acesso à sala.

Na segunda parte do ensaio na tarde de terça, aberta à imprensa, o clima geral era de descontração – o que não esconde a enorme expectativa em torno de sua chegada. Foram quase três anos de processo de busca de um novo maestro, ao longo do qual dezenas de regentes convidados – e possíveis candidatos ao posto – comandaram o grupo.

Pesaram a favor de Alsop ter aceitado trabalhar em um contexto no qual partilhará decisões com o diretor artístico Artur Nestrovski e o renome que pode ajudar a orquestra na consolidação de sua marca na América Latina e no mercado internacional.

No entanto, há muito trabalho também a ser feito dentro de casa. Nos últimos anos, o mandato-tampão do francês Yan Pascal Tortelier como titular não chegou a empolgar artistas, público e crítica; ao mesmo tempo, cresceu o número de apresentações do grupo – a orquestra realiza hoje uma média de 1 concerto a cada 1,1 dia, situação que, segundo alguns músicos, já afeta a sua rotina de ensaios. As informações são do jornal “O Estado de S.Paulo”.