Márcio Garcia não sabe o que é pior: enfrentar Luciano Huck na Globo ou assumir o horário que era de Raul Gil na Record. Há quase dez meses fora do ar, o ex-apresentador do Sem Saída tem o compromisso, a partir do dia 5, às 15 h, de enfrentar o primeiro e substituir o segundo com o programa O Melhor do Brasil. Para não correr riscos desnecessários, Márcio contentou-se em utilizar o mesmíssimo formato de seu antecessor: o bom e velho "show de calouros", com direito a júri e prêmios em dinheiro.

"A coluna vertebral do meu programa é a competição de ‘games’. Mas, em um programa de quase quatro horas, não dá para fechar em um único formato. Por isso, vou ter também música, convidados…", lista.

De original mesmo, só algumas categorias de O Melhor do Brasil. Além dos tradicionais aspirantes a cantores e dançarinos, o programa vai receber também candidatos a outras modalidades nada convencionais, como cuspe à distância e arremesso de garrafa. "A princípio, o programa vai ser gravado porque a logística é complicada. Algumas provas são esquisitas e as crianças poderiam querer imitá-las em casa. Mas pode ser que, mais adiante, a gente resolva fazê-lo ao vivo", arrisca. Tudo vai depender, na verdade, da aceitação do público. Vale lembrar que, por vezes, Raul Gil bateu Luciano Huck por uma diferença de até cinco pontos. "No momento, estou mais preocupado em oferecer um programa de qualidade. Se ficar pensando muito no ibope, sou capaz de travar", ri.

P – Na época do Sem Saída, você já pleiteava ter um programa que tivesse a sua cara. Esse programa seria O Melhor do Brasil?

R – O Melhor do Brasil foi um filho que eu e a Record fizemos juntos. Desde o início, propus algo ligado ao entretenimento. Queria muito um programa dinâmico, de "games" e que tivesse uma interatividade bacana com o público. Já o Sem Saída era caprichado, foi bem de ibope, mas não tinha a minha cara. Era um formato que já veio pronto da Fox. Caí de pára-quedas nele…

P – Às 15 h de sábado, você vai concorrer com o Luciano Huck, da Globo. Isso não assusta?

R – Não. A disputa pela audiência não me assusta. Pelo contrário, me estimula. Na minha opinião, todo mundo ganha com essa briga. Ganha o público, que tem mais opções de entretenimento, e ganhamos nós, que temos a oportunidade de fazer um programa melhor a cada semana. Além disso, sinto-me estimulado a desafiar a Globo. Veja bem, sou grato a ela por tudo que me ensinou, mas a Globo é o tipo de emissora que, mesmo desligada, dá 5 pontos de ibope… Temos de mudar isso!

P – Você volta ao ar depois de quase dez meses. Não tem medo de ser esquecido pelo público?

R – De jeito nenhum! É bom sentir saudades… (risos). Acho até essencial para não desgastar a minha imagem. Além disso, posso estar sumido da mídia, mas não parei de trabalhar. Desde dezembro, participei do filme Journey to the End of the Night, o novo do Brendan Fraser; fiz a narração do Avassaladoras, rodei a série Mandrake, da HBO, e gravei quatro capítulos de Prova de Amor, a nova novela da Record. Ou seja, não parei de trabalhar…

P – Você não se anima a voltar a fazer novelas na Record?

R –  A princípio, não. Se o programa emplacar mesmo, vai ficar difícil conciliar as duas coisas. Novela demanda tempo, dedicação, estudo. Não é só chegar em casa e dormir. Você tem de chegar em casa e decorar os capítulos para o dia seguinte. Mas, num futuro distante, quem sabe? Nunca diga nunca.

Mas quero deixar claro que, no momento, a minha meta é continuar sendo apresentador.