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Mantendo os laços de família

  • Por Jornalista Externo

Todo início de novela é sempre a mesma expectativa. Muitos atores aguardam ansiosamente por um telefonema para serem escalados numa das próximas novelas da Globo. Alguns deles, mais afoitos, chegam a telefonar para os diretores a fim de pleitear um personagem qualquer. Há aqueles, porém, que não têm com que se preocupar. Parentes de autores e diretores, Helena Ranaldi, Flávia Alessandra e Daniela Escobar, entre outras, têm sempre lugar garantido nas novelas escritas ou dirigidas por seus ilustres familiares.

Simone Spoladore é a mais recente atriz a integrar esse seleto clube. Casada com o diretor Luiz Fernando Carvalho, ela não precisou fazer teste para assumir o papel de Caterina em “Esperança”. Os dois já trabalharam juntos na minissérie “Os Maias” e no filme “Lavoura Arcaica”, os dois, claro, de Luiz Fernando. “O relacionamento entre pessoas que trabalham juntas é natural em qualquer profissão. No cinema, temos exemplos como Federico Fellini e Giulietta Masina e Ingmar Bergman e Liv Ullmann”, compara a atriz.

Já “Coração de Estudante” é o sexto trabalho de Helena Ranaldi em parceria com Ricardo Waddington. Antes da novela das seis, a atriz chegou a ser sondada para atuar em outras produções – como “Desejos de Mulher” -, mas achou o papel da advogada Clara mais interessante que os demais. “Não vou deixar de aceitar um personagem só por causa do Ricardo. Ele jamais me daria um papel que eu não pudesse fazer”, pondera.

Bom por um lado, ruim por outro. A reputação de “mulher do diretor” parece incomodar. Tanto que Flávia Alessandra tinha feito até um pacto com o marido, o diretor Marcos Paulo, de não voltarem a trabalhar juntos por um tempo. Mas mudou de idéia ao ler a sinopse de “O Beijo do Vampiro”, de Antônio Calmon. “A cobrança é sempre muito grande e a fofoca também. Mas não são os outros, eu é que me cobro muito. Eu me sinto sempre na obrigação de mostrar um resultado melhor”, ressalta.

Sem garantia

Mas nem sempre ser a “mulher do diretor” é garantia de bons papéis. Débora Evelyn que o diga. Casada com o diretor Dênis Carvalho, ela ganhou férias antecipadas depois que sua personagem em “Desejos de Mulher”, a advogada Fernanda, perdeu espaço na trama de Euclydes Marinho. A atriz Bernardeth Lyzio também nunca se sentiu favorecida na Globo por ser casada com o autor Dias Gomes. “O Dias não se sentia à vontade para me escalar em suas novelas”, recorda a viúva.

Para evitar quaisquer constrangimentos, volta e meia a Globo cogita adotar uma norma que proíbe diretores de escalar membros da família em suas produções. A maioria dos envolvidos, porém, não vê mal nenhum em dividir os estúdios de gravação com as próprias mulheres. “Nunca me preocupei com o fato de trabalharmos juntos”, garante Jayme Monjardim. O retrospecto confirma. O diretor dirigiu Daniela Escobar em cinco das sete produções em que ela atuou na tevê, como a minissérie “Aquarela do Brasil” e a novela “O Clone”. Antes, em “Pantanal”, na minissérie “O Canto das Sereias” e em “A História de Ana Raio e Zé Trovão”, todas da extinta Manchete, dirigiu Ingra Liberato, sua esposa na época.

História antiga

O hábito de marido e mulher dividirem o mesmo “set”, de fato, não é novidade na tevê. Na década de 70, a atriz Nívea Maria já se sentia alvo de preconceito por atuar sob a batuta conjugal de Herval Rossano em novelas, como “A Moreninha” e “O Feijão e o Sonho”. “Sempre tive consciência de que o Herval só me escalava porque eu servia para aquele papel”, frisa.

Tudo em família

* José Bonifácio B. de Oliveira, o Boninho, cresceu nos bastidores da Globo. Ainda menino, dava palpite nos desenhos que o pai, Boni, escolhia para as outras crianças assistirem. Boninho estreou como diretor do “Clip, Clip” aos 17 anos.

* Quando tinha de dirigir uma cena mais picante entre Flávia Alessandra e Marcos Palmeira, em “Porto dos Milagres”, Marcos Paulo preferia não olhar: passava a direção para Roberto Naar.

* Muitos diretores começaram a manejar uma câmara depois de acompanhar os pais no trabalho. Alexandre Avancini e Marcelo Travesso, filhos de Walter Avancini e Nílton Travesso, são exemplos de que profissão também se aprende em casa.

* Há cerca de dois anos, o humorista Chico Anysio veio a público para reivindicar um trabalho para o filho Nizo Neto. Depois de muito disse-me-disse, Nizo acabou conseguindo um papel para lá de modesto na novela “Estrela-Guia”, de Ana Maria Moretzsohn.

Também os filhos, netos…

Família que trabalha unida, permanece unida. Essa máxima parece ser levada a sério por certos profissionais da tevê. Muitos deles não se contentam em dar chance apenas para as mulheres e abrem caminho também para filhos, sobrinhos e noras. Manoel Carlos gosta de escrever para a filha Júlia Almeida e Jorge Fernando adora dirigir a mãe Hilda Rabello. O exemplo mais clássico, porém, é Chico Anysio. Durante anos, ele deu espaço aos filhos Lug de Paula, Nizo Neto e Bruno Mazzeo. O ator Marcos Palmeira, sobrinho do humorista e filho do cineasta Zelito Vianna, estreou no quadro do Painho. A última revelação de Chico foi a nora Heloísa Périssé.

O autor Benedito Ruy Barbosa é outro que adora trabalhar em família. O filho Marcelo Barbosa é produtor musical do pai desde “O Rei do Gado” e as filhas Edilene e Edimara, colaboradoras desde “Vida Nova”.

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