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Mais de duas década depois, volta ao ar o Carga Pesada

  • Por Jornalista Externo
Fagundes e Stênio Garcia, como
os inseparáveis Pedro e Bino.

Parece que foi ontem. Antônio Fagundes não se esquece do tempo em que pegava carona no Fusquinha de Stênio Garcia até os estúdios da Globo, no Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio. No trajeto, eles repassavam o texto e falavam de suas muitas afinidades. No seriado “Carga Pesada”, exibido pela Globo de 1979 a 81, eles faziam uma releitura “on the road” de Dom Quixote e Sancho Pança, de Miguel de Cervantes: Fagundes era o mulherengo Pedro e Stênio, o responsável Bino. Depois, eles voltaram à cena como irmãos em “Corpo a Corpo”, inimigos em “O Dono do Mundo” e patrão e empregado em “O Rei do Gado”. “O Stênio é um irmão para mim. É quase um casamento perfeito. Até porque não tem sexo”, brinca o ator, de 54 anos.

A partir do dia 29, Fagundes, com uns quilinhos a mais e uma vasta cabeleira branca, volta a assumir a boléia do caminhão, ao lado do inseparável Stênio, hoje com 70, na nova fase do seriado. Depois de 22 anos, Pedro e Bino também continuam inseparáveis. Bino, mais ajuizado, abriu uma pequena empresa de transporte, enquanto Pedro, irresponsável como sempre, gastou tudo o que possuía com mulheres, bebidas e jogatinas. “O ?Carga Pesada? é maravilhoso porque fala do nosso povo, com uma linguagem brasileira. Por mim, ele nunca teria saído do ar. Fiz grandes personagens na tevê, mas o Pedro era especial”, garante o ator.

P – Qual é a sensação de voltar a interpretar o Pedro depois de mais de 20 anos?

R – Pois é, eu e o Stênio costumamos brincar dizendo que o seriado nunca acabou. Ele pode ter acabado para o público. Para nós, não. Sempre que eu me encontrava com o Stênio, a gente conversava sobre o “Carga Pesada”. O público ficou sem saber o que aconteceu com o Pedro e Bino nesses anos, mas eles continuaram na estrada. Se dependesse de nós, o seriado nunca teria saído do ar. Na época, não entendemos porque acabou. Afinal, ele fazia sucesso e os personagens eram muito carismáticos. Foi meio traumático, sabe? Felizmente, ele voltou. Levou 22 anos. Poderia ter levado mais tempo…

P – E como foram as primeiras gravações da nova temporada?

R – Olha, as costas doeram um bocado… Porque eu e o Stênio tentamos fazer como há 22 anos e constatamos que não é muito bem por aí. Conclusão: um já está com problemas no joelho e o outro com dores na lombar. Problemas de junta, sabe? Fora isso, as gravações estão sendo muito divertidas. Afinal, os personagens também envelheceram 22 anos. Hoje em dia, Pedro e Bino têm a nossa idade e a nossa cara.

P – O que o Pedro representa na sua carreira televisiva?

R – O Pedro e o Bino são dois personagens extremamente populares. E nada mais atual, na era Lula, do que dois personagens tão populares, não é mesmo? Eles são simples, sensíveis, brincalhões e, talvez por isso mesmo, atinjam a diversas camadas da sociedade: homens e mulheres, jovens e adultos… Na época, os dois faziam um enorme sucesso junto a uma parcela do público que não tinha lá muito o hábito de assistir às novelas, como garçons, motoristas de táxi, caminhoneiros… Além disso, eu e o Stênio tínhamos muito prazer em gravar o seriado.

Por isso, como eu já disse, interrompê-lo foi meio traumático. Talvez a Globo achasse, naquela época, que a nossa participação em novelas com 200 episódios diários era mais importante do que em um programa semanal.

P – Qual é a lembrança mais forte que você guarda do seriado?

R – Ah, foram tantas as emoções… Certa vez, eu estava dirigindo na Via Dutra e contracenando com o Stênio. Fora isso, eu tinha de segurar o “spot” de luz entre as pernas, prestar atenção no trânsito para não bater, segurar o “cameraman” para ele não cair da boléia e ainda falar o texto… Hoje em dia, a gente revê um daqueles episódios e não tem idéia do que acontecia por trás das câmaras. Atualmente, a gente pode ser dar ao luxo de só interpretar. Mas, naquela época, a aventura era total.

P – Na época, vocês chegavam a receber 200 cartas por mês. Como o público tem reagido à volta do seriado?

R – Há poucos dias, peguei um táxi em São Paulo e, quando falei para o motorista que estava vindo ao Rio para gravar o “Carga Pesada”, ele deu uma freada tão brusca, que quase fui parar do outro lado. Aí, ele começou a cantar a música inteirinha para mim: “Eu conheço cada palmo deeesse chão”… Dá para acreditar? E o pessoal lá atrás buzinando!

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