Coreografias são semelhantes
a espetáculos de cabarés
da luz vermelha.

Madonna abriu a turnê mundial Re-Invention na última segunda-feira, com um show extravagante e bem político, que mostrava inclusive a diva cantando vestida com um uniforme do exército contra uma tela que exibia imagens de um país devastado pela guerra.

Madonna, logo na primeira música, vestia um corpete cravejado de jóias, mas logo trocou para uma roupa de combate, quando cantou American life acompanhada do som de bombas caindo do céu. No palco, dançarinas vestidas de soldados fizeram flexões e polichinelos, enquanto helicópteros comandavam ataques aéreos na tela atrás deles.

A “material girl” de 45 anos não desapontou os fãs de longa data, muitos dos quais pagaram mais de US$ 200 pelo ingresso, e lembrou sucessos antigos como Celebrate e Vogue, pontuados por coreografias espetaculares.

– Sabia que haveria política e religião. É como se ela tivesse crescido, ficado mais adulta, mas continuasse quente – disse Dee Dee Kennedy, uma vendedora de 36 anos, que assistiu a um show de Madonna há 20 anos, quando ainda era estudante. Kennedy, que pagou cerca de US$ 150 pelo seu assento, também comprou ingressos para outro show em Los Angeles e para a apresentação que a diva fará em Las Vegas neste fim de semana.

Com seu tradicional sutiã de cone, Madonna tentou chocar a platéia com cenas de nudez e imagens apocalípticas projetadas nos enormes telões. Espiritualidade e a paixão pela Cabala – prática antiga do misticismo judaico – também tiveram espaço no palco, com um texto em hebraico sendo projetado no cenário, sem qualquer tradução. Outro ponto alto para o público foi a versão de Madonna para o clássico de John Lennon Imagine, que foi acompanhada por um vídeo de crianças doentes e feridas ao redor do mundo.

Mais de 750 mil pessoas são esperadas nos 39 shows marcados para a perna americana e canadense da turnê.

Os assessores da cantora se recusaram a comentar os boatos de que ela teria cancelado shows em Israel depois de receber ameaças de morte dirigidas aos seus filhos Lourdes e Rocco. A turnê Drowned world, de 2001, arrecadou US$ 55 milhões em 28 shows em 12 cidades, ficando em sexto na lista das turnês americanas mais rentáveis daquele ano, de acordo com a revista especializada Pollstar.