Renata Boldrini.

Desde a adolescência, Renata Boldrini escuta a sua mãe falar que ela deveria ser crítica de cinema. Apesar de perceber que desde cedo era aficcionada pela tela grande, a jornalista de 31 anos jamais imaginaria que o desejo materno seria concretizado.

Ainda estudante da Faculdade Hélio Alonso, no Rio de Janeiro, Renata viu um aviso que o Telecine, canal por assinatura da Globosat especializado em filmes, estava precisando de apresentadores. Mesmo sabendo que a vaga era inicialmente para um homem, ela resolveu arriscar. Alguns dias depois Renata foi chamada para fazer testes e logo foi contratada pelo canal. Um ano depois de atuar como repórter, foi escalada como uma das apresentadoras do “Cineview”, revista eletrônica do Telecine sobre cinema. “Em junho de 2003 completo sete anos no programa”, vibra a jornalista.

Renata lembra que o desejo da mãe não era sem lógica. É que seu avô era dono das quatro únicas salas de cinema na pequena cidade de Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul, e por isso a mãe insistia que ela deveria trabalhar com cinema. “Mas nem ela acreditava que iria me envolver tanto com esse assunto. Era mais uma brincadeira”, empolga-se. Para ganhar a vaga no “Cineview”, que no início também era apresentado por Úrsula Vidal, Renata não se importou em contar um “mentirinha”. “Eles queriam pessoas que estivessem pelo menos no último semestre da faculdade, mas para mim faltavam ainda dois. Desconversei e estou aqui até hoje”, entrega a jornalista.

Festivais

Apesar de só ter trabalhado até hoje exclusivamente no Telecine – antes ela havia feito estágios na CNT e TV Educativa -, Renata garante que não tem a menor vontade de mudar de área ou fazer outra coisa na profissão. “O máximo que pode acontecer é agregar outras atividades. Mas largar o ?Cineview? jamais”, decreta. Um dos motivos que leva a jornalista a não querer deixar o programa, é que ela participa praticamente de todos os festivais de cinema no Brasil e no exterior. Em maio, por exemplo, ela vai pela segunda vez para o Festival de Cannes, na França. Mas já passou pelos festivais de Veneza, Miami, Havana e Mar del Plata. “Está me faltando o de Berlim e a entrega do Oscar. Um dia ainda chego lá”, torce.

No Festival de Cannes de 2002 ela foi com uma câmara digital para fazer uma espécie de documentário para o Telecine. Renata recorda muito bem o sufoco que foi tentar declarações dos atores, mas saiu de lá com depoimentos de alguns astros como Jack Nicholson e Woody Allen e dos diretores Wim Wenders e Adam Sandler. No dia em que chegou na cidade, ficou impressionada com a estrutura do festival e lembra da enorme fila de jornalistas para pegar as credenciais. “São 4 mil jornalistas do mundo inteiro e se assiste a filmes das 8 da manhã às duas da madrugada”, recorda.

Mas assistir a dezenas de filmes não é problema para Renata. Isto porque a jornalista vê por semana uma média de 10 longas, entre filmes em DVD, vídeo, canais por assinatura e no cinema mesmo. Com isso, Renata nem se dá conta que assiste mais ou menos 480 filmes por ano. “É tudo isso mesmo?”, surpreende-se. Quando vai ao cinema, de preferência sozinha, ela tem um ritual. A primeira coisa é tentar as sessões mais cedo, quando o público é menor. “Detesto barulho e hoje em dia é complicado ter silêncio nos cinemas com tanta pipoca e telefones celulares”, critica. Outro hábito é sentar no meio das filas para não ser incomodada no meio da sessão, além de não comentar os filmes logo após o final. “Mas não consigo ver mais nada sem um olhar crítico. Nem que queira”, lamenta.

Renata confessa, no entanto, que tem um gênero de filme que realmente não consegue assistir: terror. Ela lembra que, por exemplo, já pegou inúmeras vezes “O Iluminado”, com Jack Nicholson, e nunca passa do meio da história. Por outro lado, é obcecada por musicais. “Já decorei ?Moulin Rouge? só para citar um”, afirma a jornalista.