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Longa ‘Carrie’ é Chloë Grace Moretz

Há uma diferença essencial entre as duas versões de Carrie, a Estranha, o livro famoso de Stephen King. A primeira versão, de Brian De Palma, de 1976 – o livro é de 1974 -, rapidamente adquiriu o status de cult. De Palma, na época, era um emulador de seu mestre Alfred Hitchcock, mas ao suspense preferiu o terror de Psicose. A nova versão foi dirigida por Kimberly Peirce. Foi recebida a pancadas pelos críticos.

Apesar de cult, a Carrie De Palma é mais chocante que boa. Não por acaso, o filme foi banido em países como a Finlândia, seguindo o exemplo do livro, que fora banido das escolas norte-americanas. A versão de Kimberly não é ruim, ou pelo menos não é pior. Tem um aspecto até mais interessante. Ao escolher a atriz Sissy Spacek, De Palma carregou na ideia de uma Carrie esquisita, hostilizada na escola pelos colegas – na época, não se falava em bullying. A Carrie de Kimberley é Chloë Grace Moretz. É mais bonita (muito mais). Quer ser aceita pelo grupo. Quando acontece o incidente do baile de formatura (o sangue do porco, a carnificina, etc), ela tem prazer em exercer seus poderes cinestésicos. É uma diferença e tanto.

Em Cancún, durante o evento chamado Summer of Sony – quando a Major apresenta sua produção anual -, Carrie ainda não estava pronto. A diretora não foi, mas enviou sua atrizes – Chloë e Julianne Moore, que faz a mãe. Julianne lembrou que o livro nasceu de um desafio. “Um amigo disse a Stephen (King) que ele não sabia criar personagens femininas, e ele aceitou o desafio. Agora temos uma mulher contando a história. Como o livro ficou datado, Kimberly não poderia só propor um remake. Fez uma releitura.”

E Julianne continuou – “De Palma, que ama Hitchcock, é louco por Psicose. E Kimberly enfatiza algo que, no fundo, não é tão forte na explosão de violência de De Palma – Carrie mata sua mãe, e tem consciência disso. Torna-se Norman Bates.”

Chloë ressalta outro aspecto da atualização – “O bullying com certeza era praticado nas escolas na época de Stephen e Brian (De Palma), mas hoje em dia virou uma obsessão na América. O manual da correção política passa pelo combate ao bullying, e eu concordo com isso. Não sei como reagiria, se sofresse bullying pesado – um pouco todo mundo sofre, sempre. Mas o aspecto mais perturbador de fazer o papel foi a alegria selvagem com que Carrie usa seus poderes.”

Dois aspectos, digamos, ‘técnicos’ – como foi receber o banho de sangue? “Se fosse diabética, teria morrido. Havia muita groselha misturada. Puro açúcar. Era de vomitar.” E o cabelo ouriçado de Julianne Moore, como a mãe crente (e repressora)? “Foi a parte fácil. Meu cabelo é assim mesmo quando acordo.”

Julianne, num certo sentido, é a grande surpresa de Carrie – uma atriz intelectual se joga no cinemão. E ela pode ser vista em Como Não Perder Essa Mulher, de Joseph Gordon-Levitt, em cartaz nos cinemas. “O importante é não ter preconceitos. São bons papéis. Qual é o problema de fazer comédia, ou terror?” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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