?Batizado da Roca?. Algumas obras são do acervo particular da
família de Anita.

A Editora Magma Cultural lançou, na semana passada, o livro Anita Malfatti – Tomei a liberdade de pintar a meu modo, de autoria de Luzia Portinari Greggio, que enfoca toda a vida e a obra da artista, destacando também sua produção, depois da controvertida exposição de 1917, além de um estudo inédito sobre as assinaturas de Anita. O livro reúne mais de 140 reproduções, entre retratos, flores, festas populares, paisagens, vilarejos, cenas rurais, pinturas (muitas inéditas) que revelam todo o estilo e a alma de uma das principais artistas brasileiras.

?Tomei a liberdade de pintar a meu modo?, foi o título/desabafo que a própria Anita cunhou para uma exposição realizada pelo professor Pietro Maria Bardi no Museu de Arte de São Paulo (Masp), em 1955, na tentativa de dar um basta às polêmicas suscitadas em torno da trajetória artística de Anita.

A importância de Anita é inquestionável, não só pelo seu papel de pioneira da arte moderna no Brasil e pela ousadia de sua mostra de 1917, anos mais tarde chamada de ?exposição insurrecional? por Paulo Mendes de Almeida, mas sobretudo pela qualidade de sua genial obra.

Anita Malfatti protagonizou uma das mais acirradas polêmicas no campo das artes plásticas no País, a partir da violenta e eloqüente crítica de Monteiro Lobato. No artigo ?Paranóia ou mistificação?, publicado em 1917, Lobato atacou a arte moderna de uma maneira geral e deplorou as obras de Anita, que ele entendia ter muito mais talento do que estava apresentando naquela mostra. Essa crítica foi por muitos anos tida como a responsável pela mudança na trajetória da artista. Luzia Portinari Greggio não concorda com essa versão, isenta Lobato da responsabilidade e demonstra como Anita escolheu outros caminhos, que ela considerava avanço e não retrocesso, como muitos, entre os quais Mário de Andrade.

?Retrato Mário de Andrade?, de
Anita Malfatti.

O episódio de 1917 também é visto como o que deu origem ao movimento que desencadeou a Semana de Arte Moderna, em 1922, como testemunhou Mário de Andrade, ao reconhecer: ?Não posso falar pelos meus companheiros de então, mas eu pessoalmente devo a revelação do novo e a convicção da revolta a ela e à força de seus quadros.?

O presente projeto é fruto de pesquisas que estão sendo realizadas por Luzia Portinari Greggio, há mais de 10 anos. Neste livro a autora selecionou 140 obras de Anita, abrangendo todas as fases de sua vida, dando ênfase a obras inéditas, abrigadas em coleções particulares. Mas não esqueceu das obras expressionistas mais famosas de sua produção posterior, as executadas em sua estada em Paris na década de 20, dentro do chamado ?retorno à ordem?, nem de retratos, flores e daquelas voltadas aos temas nacionais, já influenciadas pela arte naïf-festas populares, paisagens emolduradas por guirlandas de flores de papel, vilarejos, cenas rurais, colheitas, gado pastando-despojadas e ingênuas.

O livro apresenta também um estudo sobre As assinaturas de Anita Malfatti, onde a autora mostra algumas curiosidades. ?É fascinante observar em sua assinatura o contexto psicológico que Anita vivenciava, o que é absolutamente comum, mas que, em Anita, assume características bem definidas e manifestas, incluindo a ausência de assinaturas, ou as assinaturas posteriores à finalização da obra?, diz. O livro conta com prefácios de Maria Adelaide Amaral, Radha Abramo e Dóris Malfatti.

A autora

Luzia desde pequena respirou arte, convivendo com o tio Candido Portinari e com a irmã pintora Marysia, discípula do nosso grande artista. Cresceu cercada de quadros, livros e de amigos da família: jornalistas, críticos, pintores, cineastas, professores e intelectuais. Era, portanto, absolutamente natural seu interesse por História e Filosofia da Arte, recrudescido quando cursou Ciências Sociais, na Universidade de São Paulo, embora sua formação tenha se encaminhado para a Estatística e a Informática. O livro pode ser adquirido nas melhores livrarias do País e pelo site da editora: www.magmacultural.com.br.