Dormir de mais, ou de menos, nem sempre é um problema médico. Pode se tratar de uma simples incompatibilidade de ?horários?, como explicam, em livro, os professores Fernando Louzada, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), e Luiz Menna-Barreto, da Universidade de São Paulo (USP).
Os dois lançaram, na semana passada, em Curitiba, o livro O sono na sala de aula: tempo escolar e tempo biológico. Um estudo sobre a necessidade de dormir e permitir que ?os mais novos? o façam.
Mais necessário que dormir, segundo Louzada, é deixar que crianças e adolescentes durmam, o quanto for necessário. É por isso que, na obra, ele propõe que a escola aceite a importância e a necessidade do sono. ?Nos últimos tempos, não há mais dúvidas sobre a importância do sono, essencial para uma série de funções, entre elas a memória. A escola – professores, coordenadores e toda equipe pedagógica – precisa se atentar e se preocupar com o sono dos alunos?, sugere o professor da UFPR.
Uma das maneiras da escola aceitar a importância do sono, como propõe os autores, no livro, é mudar. ?Por exemplo, o horário das aulas: não tem porquê começarem às 7h. Outra coisa inexplicável é o fato de colocarem as crianças mais novas para estudar à tarde e os adolescentes de manhã. Outra medida seria a escola levar esse tema – conceitos e informações sobre a importância do sono – para a sala de aula. É tudo uma questão de estabelecer prioridades?, orienta Louzada. Segundo ele, as crianças precisam, em média, de 11 horas de sono diária. Já os adolescentes têm menos necessidade, de 8h30 a 9h, mas têm mais dificuldade em dormir e acordar cedo.
Ainda de acordo com o estudioso do sono, ficar sem dormir faz tão mal quanto deixar de comer. ?Se o aluno vai para aula e dorme, é óbvio que ele não aprende. Se não dorme bem ou fica sonolento ele não armazena bem o conteúdo. Perder sono faz a diferença. Não custa nada dormir?, diz o professor da UFPR. Segundo Louzada, o objetivo do livro é fazer com essas e outras informações sobre a importância do sono chegue à sociedade e seja discutida por ela. ?Achamos natural que o idoso durma cedo e o tempo todo, porque não aceitar que os adolescentes durmam??, propõe o autor.
O livro é resultado de mais de 20 anos de pesquisa de Louzada e Menna-Barreto sobre o sono.


