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A obra conta também a história dos caboclos paranaenses que viviam no litoral.

Por meio de imagens e textos que mostram a costa paranaense, Carlos Zanello de Aguiar e Edival Perrini lançam hoje, às 19h, no hall do Teatro HSBC, o livro Fandango do Paraná: olhares. Ao longo de 134 páginas diagramadas com texto e fotografias nas cores preto e branco, os autores retratam uma das artes mais tradicionais do Estado, o fandango. Impresso em papel cuchê, as fotografias utilizadas fazem parte do acervo construído por Zanello ao longo de 20 anos de trabalho e expedições litorâneas em Guaraqueçaba, Superagüi e regiões próximas. A obra remonta o fandango desde sua chegada ao Paraná até a situação atual.

A origem do fandango, apesar de imprecisa e remota, é considerada árabe. Os mesmos teriam o levado para a Espanha. Lá foi manifestado na música, dança e canto. Os vizinhos lusitanos descobriram no fado a melhor forma de aderir à nova arte. No Brasil ele chegou como o livro bem retrata. ?O fandango bebeu de Portugal a sina de estar relacionado a viagens, vindas e idas do mar, saudade e melancolia. Talvez por isso tem um tom de tristeza. O caboclo do Paraná o incorporou devido a intimidade com o mar e a mistura dos povos.? Os caboclos paranaenses são a mistura entre os colonizadores e os índios Carijós que habitavam o litoral.

Ao longo da obra o leitor acompanha o envolvimento do povo com o fandango e também seu afastamento ocasionado devido a fatores como o preconceito religioso e a imposição da cultura globalizada. A obra detalha o afastamento dos principais grupos praticantes e a ida dos fandangueiros para regiões menos habitadas: Ilha dos Patos, Guaraqueçaba, Ilha dos Valadares, Superagüi, Serra Negra e Rio de Medeiros. Além das expedições, os autores buscaram referências nas obras de Inami Custódio Pinto, José Eduardo Gramani, Fernando Corrêa de Azevedo, Roselys Roderjan e outros.

O ritmo fandango é repassado desde a construção de seus instrumentos: violas, rabeca, adufo (espécie de pandeiro) e tamanco; passa pelas danças e enobrece grandes mestres da arte como Mestre Eugênio, idealizador da Casa do Fandango da Ilha de Valadares e Mestre Romão, criador de um dos principais grupos.

Serviço:

Lançamento do livro Fandango do Paraná: olhares, hoje, às 19h, no hall de entrada do Teatro HSBC, na Boca Maldita. Preço do livro: R$ 35.