Muitos dos que crucificaram Lincoln Olivetti desde que suas teclas ganharam maior visibilidade na música brasileira, no início dos anos 1980, estarão camuflados nos próximos dias. Ouviremos mais frases dos que o definem, com bons argumentos, como “o inventor do pop brasileiro”, “o mago dos estúdios” e, este sempre genérico, “o gênio”, proferidas sobretudo por quem ganhou muito com a estética de arranjos eletrônicos e espaçosos de alta precisão na era da supremacia das FMs.

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Olivetti foi Deus e o Diabo na terra da MPB que precisava se vestir para a festa da democracia. Os violões e as lamúrias não faziam mais sentido e deixavam uma constelação na encruzilhada: ou o artista se reinventava ou estaria fadado ao sumiço. Quem decidiu seguir em frente, passou pelas mãos de Olivetti. Quem não passou, perdeu o bonde.

Os anos 1980 não foram fáceis pra ninguém, mas poderiam ter sido piores sem os novos grooves do produtor. Olivetti dava o norte e apontava o rumo, por mais impróprio que ele parecia ser. Os sons orgânicos e acústicos dos anos 1970 seriam engolidos por efeitos de estúdio, sintetizadores e baterias eletrônicas aos quais muitos artistas se submeteram, a princípio, de cabeça baixa, pagando a taxa para renovar o passaporte. E então, a crítica especializada, na era em que a crítica era o terceiro poder da indústria fonográfica, divorciou-se do sucesso e subiu a guarda ao nome de Olivetti, “o pasteurizador”. No momento em que parte, seu nome está em franco processo de reavaliação. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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