Leonardo Di Caprio protagoniza A origem

Qual é o real limite do cérebro humano? Como entender o funcionamento da nossa mente? De que maneira trabalha o nosso subconsciente? Essas são apenas algumas das inúmeras questões científicas que envolvem o nosso cérebro.

Dada a complexidade do assunto, trazer um tema como este para o cinema é uma tarefa ingrata e perigosa, certo? Errado. Porque quando se trata do diretor britânico Christopher Nolan, o impossível torna-se palpável.

Em seu novo trabalho, A origem, Nolan consegue elevar a sétima arte para um novo patamar e mostra que, se não for o mais talentoso de sua geração, com certeza é um dos três principais diretores da atualidade.

Vindo de uma sequência de cinco trabalhos irretocáveis (Amnésia, Insônia, Batman begins, O grande truque e Batman -O cavaleiro das trevas), o diretor apostou suas fichas em um projeto pessoal ousado.

E põe ousado nisso! Fugindo do que vem sendo trivial nas telas – em particular a onda de remakes – Nolan consegue sair-se original mesmo em um assunto que já foi utilizado em outros longas metragens.

A trama mostra Dom Cobb (Leonardo DiCaprio), um especialista em invadir mentes de durante os sonhos para roubar suas ideias. Contratado pelo milionário japonês Saito (Ken Watanabe), Cobb e sua equipe precisam fazer algo arriscado: plantar uma ideia na cabeça de seu concorrente, Robert Fischer (Cillian Murphy).

Por mais inverossímil e complicado que possa ser, a firmeza da direção, aliada a um roteiro excepcional e coeso, escrito pelo próprio Nolan, faz com que a gente possa comprar esta ideia de que algo assim não seria um absurdo.

Aliás, a metáfora de se implantar um pensamento em outras cabeças nada mais é do que o marketing agressivo que grandes marcas tentam impor para as pessoas.

O melhor é que tudo isso soa de forma mais orgânica possível, ficando impossível de desgrudar os olhos da tela para não perder nenhum detalhe. Claro que nada disso seria possível se Nolan não selecionasse a dedo os atores que embarcaram neste filme.

O amadurecimento profissional de Leonardo Di Caprio (vide os ótimos Prenda-me se for capaz e Ilha do medo) dá a credibilidade que se um projeto tem a sua participação, é certeza de material será de qualidade.

Ellen Page (Juno), como a arquiteta Ariadne (mesmo nome da personagem da mitologia grega que auxilia Teseu no labirinto do Minotauro), consegue dar o tom certo de complexidade e profundidade ao papel, bem como os já citados Watanabe e Murphy.

Contudo, Joseph Gordon-Levitt (500 dias com ela) e Marion Cotillard (Piaf), respectivamente como Arthur, o braço direito de Cobb, e Mal Cobb, projeção mental da ex-esposa de Dom Cobb, acabam se sobressaindo. Ele, pelo alívio cômico e também pela seriedade, e ela pelo clima de tensão sempre quando está em cena.

Outro fator positivo está nos efeitos especiais. Para dar mais veracidade ao filme, o diretor opta em usar planos mais abertos e trucagens mecânicas, deixando as cenas mais reais, como a da luta em gravidade zero e a perseguição na neve.

O uso de computação gráfica só é utilizado quando se faz realmente necessário. A trilha sonora, composta por Hans Zimmer, surge sempre como um elemento a mais para articular uma cena e outra, sem soar abusiva ou desnecessária.

Possivelmente o único destaque negativo de A origem está em sua tradução (o original é Inception, que significa inserção, em uma tradução livre). Entretanto, vamos e convenhamos, isso não afeta em nada a magnitude e a genialidade alcançada pelo filme. Mais do que recomendado, este filme é obrigatório para quem gosta de um cinema de qualidade.

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