Primeiro artista multimídia brasileiro, como bem definiu o jornalista João Máximo, Mário Lago escrevia para o teatro, compunha música, mas também atuava e cantava. Esteve no cinema, no teatro, no rádio, na TV, no disco e nos coros de marchinhas de carnaval. Só não esteve na internet porque esteve à frente dela, tendo vivido até os 91 anos, em 2002. Pois a partir desta sexta-feira, 31, o Centro Cultural Correios em São Paulo recebe a exposição Eu Lago Sou – Mário Lago, Um Homem do Século 20, mostra que já passou por Brasília e Recife, organizado por seu filho, Mário Lago Filho.

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O evento, que resgata a vida e a obra deste artista atemporal, vai até 30 de dezembro. É importante dizer que o prédio dos Correios, embora em obras e ao contrário do que possa parecer a quem mira sua fachada, está em pleno funcionamento.

Entre imagens, versos autobiográficos, frases e canções de seu protagonista, a exposição aproveita a intensa atividade de Mário Lago para contar um pouco da história do Brasil e do mundo nos 91 anos que ele viveu. Assim, uma linha do tempo se encarrega de mencionar episódios marcantes de cada uma das nove décadas, entre 1910 e 2000, relacionando os acontecimentos com a vida do artista. E não é que boa parte dos visitantes compareceu à visitação, mesmo sem nunca ter conhecido Mário Lago?

“Dentro do trabalho que a gente faz com os Correios, tem sempre visitação de escola, e é bem interessante porque essa geração de adolescentes está muito interessada em conhecer a história do Brasil, desde a redemocratização”, explica Mário Lago Filho, que reuniu toda a memória do pai.

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“O que foi reprimido no passado começou a aflorar agora, nesses jovens, um interesse, uma curiosidade, que atrai esse pessoal a cada vez que aparece uma coisa mais indicativa de um período da história do Brasil. A gente tentou, ao logo da montagem dessa exposição, criar um carnal de informação. A linha do tempo é um espaço que correlata os fatos, década por década. Então, começamos por quais fatos levaram à 1ª Guerra, ou o que foi a revolução bolchevique. Mário Lago nasceu em 1911. Em 1918, contamos que a gripe espanhola devastou o Brasil – duas pessoas que tiveram destino diverso: Mário Lago, que pegou a versão mais leve do vírus, sobreviveu e no ano seguinte, começou a ter aulas com dona Lucila, mulher do Heitor Villa-Lobos, e o presidente da República, Rodrigues Alves, não resistiu.”

O restante da exposição, conta Filho, tenta reproduzir a atmosfera de uma sala de visitas, como se o próprio Mário Lago pudesse guiar o visitante nessa trilha. Em áudio, a exposição resgata canções do autor de Amélia (“aquilo, sim, é que era mulher”), um clássico cujo título se tornou sinônimo de mulher subserviente.

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O visitante também poderá ouvir passagens de rádio, por meio de fones de ouvido, com passagens curtas e narrativas de radionovela escritas por ele, além de conferir trechos de suas atuações nos cinemas e na televisão, onde trabalhou até 2001. Foi em O Clone, quando Glória Perez resgatou um personagem seu de Barriga de Aluguel, o Dr. Molina. Até a semana passada, Lago também dava as caras em Dancin’Days, como Alberico, um típico personagem do universo de Gilberto Braga: aquele que vive se iludindo com negócios que o tornarão rico, o que ele tenta parecer ser na alta sociedade, contrariando sua condição econômica real.

“Um terceiro título que a gente sempre associa aos projetos com a obra de papai é ‘Memória em Movimento’, e essa ideia está presente nesta exposição. Ele odiava ficar olhando pra trás, e a exposição é iluminada para frente”, diz Filho.

A memória do pai logo deverá sair também em CD: na ocasião do centenário, Filho entregou a um time de músicos de perfis bem distintos vários poemas do pai, que foram musicados por Arnaldo Antunes, Roberto Frejat, Lenine e Pedro Luiz, entre outros. A ideia é lançar um CD com todo esse repertório. Para tanto, Filho aguarda uma parte do pagamento devido pela Prefeitura do Rio de Janeiro, que apoiou o projeto, mas, segundo ele, ainda não acertou as contas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.