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Laís Bodanzky assume Spcine com promessa de diálogo e transparência

  • Por Estadão Conteúdo

Para ex-presidente da Ancine, Manuel Rangel, “é a melhor notícia do ano (no cinema)”. A posse de Laís Bodanzky como diretora-presidente da Spcine virou uma impressionante demonstração de força da categoria. A Sala do Conservatório, no Paço das Artes, lindamente restaurada, tem 200 lugares. Mais de 400 pessoas confirmaram presença. E não parava de chegar gente. O secretário municipal de Cultura, Alê Youssef, iniciou os trabalhos – com atraso, mas era compreensível, no quadro de tanta gente de pé -, dizendo que chamou Laís porque seu partido é o da Cultura de São Paulo e, por intermédio dela, busca essa ponte com o audiovisual. Ela estendeu a mão para abarcar a sala – “O sentido dessa cerimônia, nesse espaço amplo, é apresentar todo o setor ao secretário. Alê, está todo mundo aqui. O audiovisual de São Paulo. E já ouvi de muita gente, senão de todos, que todo mundo quer participar, dialogar, ajudar.”

Mestre de cerimônia, a atriz, apresentadora e cineasta Vaneza Oliveira lembrou que apenas 15% dos cargos de CEO no Brasil são ocupados por mulheres. Laís integra-se a esse (ainda) reduzido grupo. Está consciente do desafio, mas feliz da vida. Tem o respaldo da categoria e sabe que não está pegando um abacaxi. “A Spcine é uma empresa saudável e o meu papel aqui é dialogar com toda a categoria e ampliar esse diálogo com o poder público.” Ao repórter, pouco antes, num encontro no próprio palco em que se daria a posse, Laís disse que não faria nenhum anúncio, senão reforçar as linhas de diálogo. Mas ela fez anúncio, sim.

Simbolicamente, chamou ao palco, no fim da cerimônia, todos os integrantes do Conselho Consultivo da entidade presentes na sala. Encheram o palco. “Vamos retomar as atividades do Conselho para que toda a categoria possa se reunir para trocar ideias e dar sugestões.” Outra medida que ela anunciou – “Precisamos de um Observatório atuante, que divulgue números e atividades, e torne transparente o nosso trabalho.”

Suprapartidário – seu compromisso é com a Cultura, e a cidade – o secretário Youssef prometeu não fazer distinções nem discriminar. Seu discurso – “É preciso descriminalizar a cultura.” E Laís, citando a Constituição, prometeu liberdade ampla, nenhuma forma de censura ou exclusão. “Se está na Constituição, se é direito de todos, é lei.” Foi ovacionada. Laís terminou em dezembro, em Portugal, as filmagens de Pedro, seu longa interpretado por Cauã Reymond. Não se trata de uma cinebiografias de Dom Pedro I, mas um recorte, acompanhando-o naquele momento em que ele está abandonado o Brasil para retornar a Portugal. Primeiro filme de época de Laís, Pedro exigiu muito da diretora. Ela mal voltou ao Brasil, descansou um pouco e, em fevereiro, Alê a chamou para um encontro. Fez o convite. Laís pediu um tempo para pensar, mas confessa. “Eu não ia acordar bem, se dissesse não. Alê tem um projeto plural para a cultura de São Paulo e do Brasil. Sinto que estou aqui respaldada, para fazer um trabalho conjunto.”

Para início de conversa, e mesmo elogiando a administração de seu antecessor, Maurício Andrade – ele foi aplaudidíssimo ao discursar -, Laís considera fundamental divulgar mais a Spcine para o conjunto da sociedade. “Eu mesma não sabia de muita coisa sobre a empresa que foi criada no governo de Fernando Haddad para promover o desenvolvimento da indústria do audiovisual em São Paulo. Em apenas quatro anos, a Spcine cresceu muito. Temos hoje uma plataforma de streaming que oferece toda a obra de Hector Babenco e José Mojica Marins, mais um número expressivo de obras clássicas e recentes, muita coisa de graça ou então a preços populares. A São Paulo Film Comission é a segunda maior da América Latina, já movimentou produções que totalizam mais de R$ 1 bilhão e criaram milhares de empregos diretos e indiretos. E tudo isso ainda é pouco conhecido e divulgado.”

Games? “A Spcine participa do evento que é considerado o Sundance dos games, atraindo criadores e players de dentro e fora do Brasil.” Exibição? “O circuito de salas, a maioria abrigadas em CEUs, já levou filmes a mais de 1 milhão de espectadores. Muita gente nunca havia visto um filme projetado numa tela grande.”

Num momento de descontração, Laís entrevistou a apresentadora da tarde, e Vaneza Oliveira – atriz, artista, mulher e negra – disse quanto foi importante para ela ser selecionada no edital de curtas da Spcine para diretores estreantes. “Abriu-se uma porta e eu consegui contar uma história que me expressava, mas não era só eu. Havia representatividade, havia todo um trabalho de equipe que pudemos realizar graças à Spcine.” É por isso que, aos olhos da categoria, a presença de Laís Bodanzky na condução da empresa adquire um peso tão grande nesse momento. “O audiovisual representa 2% do PIB brasileiro. Isso movimenta a economia, cria empregos e, num processo de economia criativa, junta-se a outros setores, como economia e educação.” Pois a cultura não é só entretenimento. Apagaram-se as luzes e, na Sala do Conservatório, transformada em cinema, apareceram no telão as imagens de Laís e seu ator em Bicho de Sete Cabeças, Rodrigo Santoro, numa conversa sobre o que, afinal, é a cultura, e o cinema. Abertura para o mundo, testemunho. O cinema pode ajudar a descobrir e entender o outro. Pode tornar o mundo melhor. A conversa está no site da Spcine. Economia, arte. “Convidei a Laís porque a cultura em que acredito olha o presente e o futuro. Pode produzir coisas belas e fortes”, disse o secretário. Na saída, Caio Gullane, da Gullane Filmes, uma das maiores produtoras do País, puxou o repórter para dizer – “Agora, vai.”

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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