Uma vantagem do Troca de Família é que o programa foge um pouco do formato engessado que costuma acometer a maioria dos ?reality show?. Como acontece com o Big Brother, que têm sempre o mesmo espectro de gente – os bonitos, os nervosos, os pobres, etc. Ou, então, com o SuperNanny do SBT, que mostra famílias bem-estruturadas em belas casas. O programa da Record, ao contrário, mostra tanto lares requintados quanto humildes. Algumas crianças são bem-cuidadas e outras nem tanto. Ou seja: é um ?reality show? com cenários mais realistas.
Aliás, a disparidade entre as famílias participantes é o motivo maior da graça do programa. Afinal de contas, é divertido ver uma advogada ?dondoca? que não sabe cozinhar e nem cuidar da casa se juntar a uma família circense que mora em um trailer. Enquanto isso, uma trapezista que não consegue ficar parada enfrenta dias de madame. E passa a impor regras e limites a filhos que não são seus. Não é à toa que, para encontrar esses exemplos de personagens tão peculiares, a produção se empenhou em buscar famílias dos quatro cantos do país, com perfis sociais e culturais dos mais díspares.
São as diferenças que, inevitavelmente, geram conflitos. Eles são amenos no começo e se aguçam com o passar dos dias. Na estréia, Troca de Família conquistou a média de nove pontos na audiência – índice que, segundo a emissora, não é ruim para uma estréia, mas pode ser melhor.
Com uma edição que funciona bem, Troca de Família consegue se manter interessante até o final. O que não tem muito sentido é a participação da jornalista Patrícia Maldonado. A Record até tentou vender a apresentação da moça como um diferencial à versão original, em que a narração é toda feita em ?off?. Ela é simpática, bonita, mas suas inserções são totalmente dispensáveis.