Seja na política, no esporte ou na própria televisão, a família costuma justificar com precisão a escolha de determinada profissão. Na tevê, em especial, é ainda mais comum ver atores que, desde crianças, usavam as portas abertas pelos pais. Glória Pires é um bom exemplo. A atriz, que está no ar como a Júlia Assumpção de Belíssima, novela das oito da Globo, apareceu pela primeira vez na tevê aos cinco anos, quando fez a abertura de A Pequena Órfã e participou da primeira versão de A Muralha, produzidas em 1968 pela extinta TV Excelsior. Aos 43 anos e com 38 de carreira, Glória não esconde que cresceu sob influência do pai, o falecido ator Antônio Carlos. "Não dá para imaginar o que é ser uma jornalista ou uma fotógrafa. Nunca vivi o dia-a-dia dessas profissões. Não sei o que é não ser atriz!", enfatiza.

E foi com um empurrãozinho do pai que a carioca Isabela Garcia apareceu pela primeira vez na tevê, aos quatro anos. Graças a um acaso, a direção do programa do Moacyr Franco precisou de umas crianças e, como seu pai era redator e diretor da Globo, ele a colocou. Logo depois, aos 12 anos, a atriz viveu Maria Helena, pequena órfã da novela Água Viva, de Gilberto Braga. Com mais de 30 anos de televisão, Isabela afirma que, não fosse o acaso, jamais se tornaria atriz profissional. "Eu não tive escola, não fiz cursos nem workshops no exterior. Tudo que aprendi foi durante o trabalho, vendo os mais tarimbados em ação. Na verdade, acho que nada é melhor do que a prática!", pondera a atriz, que já está escalada para a próxima novela das oito da Globo, Páginas da Vida. Recentemente, Isabela esteve na minissérie JK e fez uma participação especial em Belíssima, onde interpretou a ex-mulher de André, personagem de Marcello Antony.

Como todo meio, a tevê também tem suas exceções. Na véspera de completar 30 anos de idade, Danton Mello é outro ator que iniciou sua carreira ainda criança. Sem parentes envolvidos com tevê, no entanto, sua primeira aparição foi no programa de calouros infantis de Dárcio Campos. Lá, o ator conheceu a dona de uma agência de comerciais que chamou ele e o irmão Selton Mello para um teste. Com 5 anos, Danton fez seu primeiro comercial. Pouco tempo depois, em 1984, o ator estreou na Globo, em A Gata Comeu, de Ivani Ribeiro. Atualmente, Danton vive um momento de brilho na pele do Rodolfo, protagonista de Sinhá-Moça. "Só fui ter certeza de que queria ser ator na adolescência, mas toda essa experiência anterior, obviamente, me acrescentou como profissional", reconhece.

Revelada em comerciais de tevê, Natália Lage também começou sua carreira televisiva sem contar com nenhum empurrãozinho. Aos 27 anos, a atriz fez seu primeiro personagem na Globo com apenas nove, em Tarcísio & Glória, de Antônio Calmon. Depois vieram inúmeros trabalhos, dentre eles 13 novelas, diversos espetáculos teatrais e três longas-metragens. Contratada exclusiva da Globo, seu último trabalho na emissora foi em A Lua Me Disse, novela das sete assinada por Miguel Falabella. "Não acredito nessa coisa de formação acadêmica para o ator. Acho que é uma profissão meio marginal, que tem esse perfil vagabundo e espontâneo", sintetiza.

Pequenas promessas

Na pele da Lurdinha, de Cobras & Lagartos, Bruna Marquezine está apenas no início de sua carreira, em sua terceira novela. O número, porém, é significativo para uma menina de apenas 10 anos de idade. Revelada no programa Gente Inocente, da Globo, a jovem atriz praticamente emendou um trabalho no outro desde que fez sua primeira personagem na tevê, a sofrida Salete de Mulheres Apaixonadas, aos sete anos. "Quando comecei a fazer novela, logo percebi que gostava de interpretar. Trabalhar na tevê aconteceu por acaso, mas hoje sou apaixonada pela profissão", garante Bruna, com um ar decidido.

Dois anos mais velho, mas com o mesmo tempo de profissão que Bruna Marquezine, o ator Pedro Malta tem um currículo surpreendente para seus 12 anos de idade. Depois de protagonizar dezenas de comerciais na tevê, o pequeno ator está fazendo sua sexta novela desde que estreou na Globo em Coração de Estudante, novela de Emanuel Jacobina. No ar como os gêmeos Joãozinho e Dudu de Prova de Amor, da Record, o pequenino ator vê no apoio familiar a chave do sucesso profissional. "No início da carreira, o apoio da família é importantíssimo! Você chegar e fazer uma novela ainda pequeno, é preciso ter ajuda em casa", ressalta.