Quando o artista tem força com seu público e no meio que se propõe a fazer música, não são os números em redes sociais que fazem valer e sim a representatividade. Os mineiros do Jota Quest provaram exatamente isso na última sexta-feira (15), quando se apresentaram em Curitiba lotando o Teatro Guaíra, com ingressos esgotados. Em conversa com a Tribuna do Paraná, Rogério Flausino já adiantou que vai ter pelo menos mais dois encontros com os curitibanos ainda neste ano.

O show, da turnê Acústico Jota Quest – Músicas para Cantar Junto já tinha passado por Curitiba no ano passado e fez o mesmo sucesso. “Isso é muito bom. A melhor sensação que a gente pode ter é essa, de saber que a casa está cheia e ainda estamos repetindo isso, ainda mais passados seis meses do último show”.

O acústico é encarado como um projeto de revisão. “Uma banda que tem mais de 20 anos, é natural que se você se entregou, depois desse tempo todo as pessoas queiram vir ao show. É muita gente que vem, tem gente que chegou agora, mas tem fã que nos acompanha desde cedo. O mais legal é saber que a gente vai conseguir entregar um trabalho bacana e num espaço muito legal como o teatro”.

Foto: Lucas Sarzi.
Foto: Lucas Sarzi.

Sucesso é isso

Com um repertório basicamente cheio de hits, é inegável dizer que até quem foi ao show sem saber se conhecia todas as músicas da banda saiu do teatro com a sensação de que é mais fã do que imaginava. O interessante é que o grupo consegue manter o estilo acústico e juntar bem a seleção das músicas, numa lista que passa pelos sons antigos do grupo (como De Volta ao Planeta, FácilAmor Maior e Só Hoje), mas também repagina os novos (como Pra quando você se lembrar de Mim, Mandou BemBlecaute e Você precisa de Alguém).

Além de um show bem amarrado entre as músicas escolhidas, a banda também aproveitou um momento, mais ao final, para fazer uma dura crítica social e colocar as pessoas com os pés no chão. Em De Volta ao Planeta, as imagens mostradas no telão reforçavam que, em nossa política, todos estão em praticamente um pacote só. Como próprio Rogério Flausino já tinha dito à Tribuna do Paraná, “nosso país se tornou um prato cheio para fazer rock, por conta da situação caótica da nossa política, por exemplo”.

Se no começo do show a banda faz um recado pedindo que as pessoas entrem na viagem proposta, não só pelo repertório, mas na música de modo geral, a missão é cumprida. Durante as pouco mais de duas horas de duração, os mineiros prenderam o público de um jeito que pareciam nem mesmo querer ir embora. A banda mostrou que não é preciso números expressivos em redes sociais e muito menos visualizações bombásticas nos players de música. O que importa mesmo para o rock é manter vivo o espírito dentro de quem mais importa: os fãs.

Vem mais show

Durante passagem por Curitiba, Rogério Flausino aproveitou para divulgar que já tem data para voltar: ele deve se apresentar em agosto, com o irmão Wilson Sideral, num show em homenagem ao Cazuza (que ainda deve ter a data oficialmente divulgada), e também em dezembro, com a banda inteira. “Vamos tocar na Pedreira Paulo Leminski, no Festival Prime Rock Brasil. Vai acontecer em Curitiba, mas é um acontecimento nacional de rock brasileiro. Tô muito feliz”, adiantou Rogério.

O festival, marcado para o dia 8 de dezembro, vai reunir nomes do rock nacional. Além de Jota Quest, estão confirmados Capital Inicial, Paralamas do Sucesso, Nando Reis, Frejat e Humberto Gessinger. “O legal é que vai ser promovido por uma produtora que acredita no rock. Essa abertura do espaço pra gente é algo muito incrível”, comentou o cantor. As vendas do festival, que promete chegar para reinventar a história do rock nacional, começam nesta quarta-feira (20), pelo Disk-Ingressos.

Foto: Lening Abdala/Divulgação.
Foto: Lening Abdala/Divulgação.