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Jorge Ceruto mistura samba e blues em álbum de estreia

Quando veio de Cuba pela terceira vez para uma turnê no Brasil, em 24 de abril de 1998, o trompetista Jorge Luis Ceruto Echevarria não sabia que aquela seria a saída definitiva de seu país. Naquela época, tocava na banda Conexión Salsera, que aqui virou Conexión Cubana. O grupo tinha contrato de cinco anos com o Sesc de São Paulo. Dos US$ 5 mil que rendia cada show – e eram cerca de quatro por semana -, os instrumentistas só viam trocados. Eram pagos US$ 20 por dia para cada um dos oito integrantes.

O diretor da Conexión era chamado de “Gestapo”, pois ficava com todos os passaportes e vigiava tudo o que faziam. Só devolvia os documentos quando tinham de retornar a Cuba para não vencer o visto. Foi assim desde abril de 1997. No ano seguinte, porém, houve um imprevisto. No dia 12 de junho, Jorge encontrou no hotel em que estava hospedado um envelope com o seu passaporte e os de outros quatro músicos. O chefe voltou para casa com três pessoas da banda sem dar explicações, apenas com um bilhete pedindo que fizessem o mesmo.

Jorge ficou. Mais de 15 anos depois, lança agora pela Amazon e pelo iTunes seu primeiro disco, Jorge Ceruto y su Mambo que Sambo (US$ 9,90). Independente, o álbum tem composições e produção assinadas por ele. O CD físico e os shows devem ficar para o ano que vem.

Ceruto, 42 anos, conviveu com a música desde pequeno, graças ao pai e ao avô maestros, e estudou durante a década de 1980 em escolas de arte de Guane, cidade de Pinar del Río, província de Cuba, onde cresceu. Não sabe utilizar qualquer software de música. Para fazer o disco, escreveu as partituras de todos os instrumentos.

A ideia é misturar mambo, samba e blues. “Assim que comecei a fazer o disco, fui para a Bahia e tive um encontro com Letieres (Leite, maestro da Orquestra Rumpilezz). Ficamos tocando e pensei em misturar os atabaques, instrumentos de tradição no Brasil, com os batá, de Cuba”, conta em entrevista à reportagem na sua produtora, no Butantã, zona sul de São Paulo. Também incluiu elementos da música americana. “Essas três são algumas das músicas mais universais. Das que o fazem dançar ao ouvir. Dividi o arranjo para que grupos de instrumentos tocassem de formas diferentes. Se os trombones fazem um som mais malandro, do samba, o piano faz a base do jazz, e assim vai.”

O disco relembra também o abakuá, uma das origens da rumba, o tamanquinho, ritmo que veio da África e é muito usado na música baiana, e o bolero.

JORGE CERUTO Y SU MAMBO QUE SAMBO 2013 – US$ 9,90

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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