De comédia a westerns, ele compôs a trilha para todos os gêneros de filmes. E não foi assíduo só no cinema. Jerry Goldsmith também compôs muitas partituras para filmes e séries de TV. Indicado 17 vezes para o Oscar, ganhou só uma vez o prêmio da Academia de Hollywood, pelo filme A Profecia, de Richard Donner, em 1976. A TV foi muito mais pródiga no reconhecimento do seu talento e Goldsmith ganhou cinco Emmys. Ele morreu anteontem em sua casa, em Beverly Hills, enquanto dormia. Tinha 75 anos e há tempos submetia-se a tratamento intensivo contra o câncer.

Goldsmith nasceu em Los Angeles, em 1929. Aos 16 anos, já era aluno do pianista Jacob Gimpel quando assistiu a um filme de Alfred Hitchcock. Depois de ver Quando Fala o Coração (Spellbound), com Gregory Peck e Ingrid Bergman, o jovem Jerry, impressionado com a partitura de Miklos Rosza, decidiu que era aquilo que queria fazer. Nos anos seguintes, estudou composição com Mario Castelnuovo-Tedesco. Sua fama em seguida ultrapassou a do mestre.

Embora tenha produzido música para todos os tipos de filmes, Goldsmith tinha uma preferência especial pelos temas intimistas. Foram mais de cem partituras para cinema, incluindo filmes considerados clássicos, como Chinatown, de Roman Polanski de 1975. Era um aficionado dos metais que usou – sem boquilha – em O Planeta dos Macacos, o original de Franklin J. Schaffner, nos anos 1960, para colocar na tela o efeito de rugido que julgava necessário para criar o clima daquela história de símios que dominam o mundo. Goldsmith gostava muito da partitura que criou para outro filme de Schaffner – Patton, Rebelde ou Herói?, de 1969.

Entre os muitos filmes que musicou estão – Crepúsculo das Águias, de John Guillermin; Instinto Selvagem, de Paul Verhoeven; Los Angeles – Cidade Proibida, de Curtis Hanson; e outro filme de Verhoeven – O Vingador do Futuro. Em todos, por mais espetacular que seja a ação, o que importa é o mergulho na intimidade dos personagens. Em Instinto Selvagem, os acordes musicais que acompanham Michael Douglas em seu carro, quando percorre a sinuosa estrada até a casa em que a personagem de Sharon Stone pode ter cometido aquele assassinato brutal, mostram que Goldsmith estava ali recriando o homem que despertou nele o amor pela música de cinema -Miklos Rosza.

Anos mais tarde, Goldsmith surpreendeu seus admiradores ao dizer que a partitura para a fantasia futurista interpretada por Arnold Schwarzenegger – “O Vingador do Futuro” – era a mais complexa de sua carreira que se estendeu por mais de 50 anos. Na TV, compôs para séries como Os Waltons, Dr. Kildare, Barnaby Jones e Jornada nas Estrelas – A Nova Geração.