Tempo de Amar, nova novela da Globo que estreia nesta terça-feira, 26, na faixa das 18h, inicia sua jornada em Portugal. No ano de 1927, os belos e jovens Maria Vitória (Vitória Strada) e Inácio Ramos (Bruno Cabrerizo) se conhecem durante as festividades da Semana Santa, na fictícia aldeia Morros Verdes. E se apaixonam à primeira vista. Só que, ao melhor estilo Romeu e Julieta, esse amor vai enfrentar muitos obstáculos. Maria Vitória é nascida em família rica, filha do influente produtor de vinho e azeite José Augusto Correia Guedes (Tony Ramos), dono da Quinta da Carrasqueira, e Inácio tem origem humilde e mora num vilarejo vizinho com a tia Henriqueta (Nívea Maria).

O tom folhetinesco de Tempo de Amar, do autor Alcides Nogueira, substitui Novo Mundo, de Thereza Falcão e Alessandro Marson, que entrega o horário com boa audiência mesclando personagens históricos, como d. Pedro, com figuras fictícias, no início do século 19 – mais precisamente entre 1817 e 1822, ano da independência do País. A nova trama das 6 é baseada num argumento de Rubem Fonseca, escrito em parceria com a filha, Bia Corrêa do Lago, o que surpreende, já que o escritor ganhou notoriedade por sua literatura policial urbana. Rubem se inspirou na história real de sua avó, que saiu de Portugal – deixando a filha, mãe do escritor, com os pais – para encontrar seu grande amor, que tinha vindo ao Brasil a trabalho e, depois de um tempo, parou de se corresponder com ela.

“É uma história de amor, um retorno àqueles folhetins de amor típicos nos quais você tem um amor puro, verdadeiro. Durante praticamente toda a novela, as pessoas vão torcer muito para isso dar certo, tem essa pureza do amor simples, tanto que a abertura (da novela) é toda em cima dos grandes amores que fizeram parte da história da humanidade”, conta o diretor artístico Jayme Monjardim, em entrevista ao Estado. Para ele, não é só a diferença social que o casal precisa enfrentar. “Acho que é a vida mesmo, as histórias acabam criando situações dentro desse universo que conspira contra os dois”, observa.

Além de enfrentar o ciúme de Fernão (Jayme Matarazzo), que retorna para Morros Verdes após se formar em Medicina em Coimbra e não se conforma em perder sua amada Vitória para outro, Inácio já tinha aceitado uma oferta de trabalho no Brasil, no Empório São Mateus da Lapa, de Geraldo (Jackson Antunes). Antes de embarcar, os dois se entregam à paixão e prometem se reencontrar de qualquer forma. E é aí que a vida se encarrega de atrapalhar o casal. Depois da partida de Inácio, ela descobre que está grávida, e é enviada para um convento; e ele, quando recebe a carta de Maria Vitória avisando que será pai, planeja retornar para Portugal, mas, antes de viajar, vai pagar um fornecedor a pedido de seu patrão e, no caminho, é assaltado e espancado.

Desmaiado à beira da estrada, o rapaz é salvo por Lucinda (Andreia Horta), que traz no rosto uma cicatriz, causada por uma explosão. Abandonada pelo noivo e se sentindo culpada pelo acidente que matou a mãe, Lucinda vê em Inácio uma nova chance de amar. E tanto Lucinda quanto Fernão não vão medir esforços para conquistar seus amores. O que os tornam vilões em potencial.

Inter

Em Tempo de Amar, Jayme Monjardim volta a trabalhar com o filho, Jayme Matarazzo. Jayme pai lembra que a primeira vez que os dois trabalharam juntos foi na minissérie Maysa: Quando Fala o Coração, de 2009, que retratava a trajetória da cantora Maysa – aliás, mãe de Jayme Monjardim e avó de Jayme Matarazzo. Era a estreia de ‘Jayminho’ como ator, sob a direção do pai. “Depois, nunca mais trabalhei com ele. Aí ele fez a carreira, fez quatro, cinco protagonistas longe de mim. A gente se encontrou de novo na novela Sete Vidas, que foi um sucesso. E, agora, para mim, é um prazer, ainda mais que ele fará o primeiro vilão de sua vida. Eu estava louco para poder fazer isso com ele”, comemora Monjardim.

Jayme Matarazzo já é conhecido do público, assim como grande parte do elenco, formado ainda pelos já citados Tony Ramos, Jackson Antunes e Nívea Maria, além de Letícia Sabatella, Deborah Evelyn, Marisa Orth, entre outros – diferentemente do jovem casal protagonista. E o diretor diz que isso foi proposital, para que o público não fizesse relação dos dois com qualquer outra trama amorosa anterior.

“A opção nossa desde o início foi trazer um casal absolutamente desconhecido para dar um valor muito grande para essa relação dos dois”, explica. “Esse conceito de ter um casal completamente desconhecido era justamente para reforçar essa história, esse romance todo.” A gaúcha Vitória Strada se destacou num teste. Já o carioca Bruno Cabrerizo foi indicado para Monjardim por um amigo. Bruno morava em Portugal e foi contatado via Facebook. “Foi muito engraçado, ele achou que era piada, porque tinha um diretor da Globo que o estava chamando”, diverte-se Monjardim.

Se fosse resumir a novela numa ideia, o diretor usaria essa: “É uma novela que mostra o amor por diversos ângulos, em várias idades, e isso que é importante”, define. “Nesse mundo que a gente está enfrentando hoje, cheio de violência, é terremoto, é vendaval, é tiroteio, quando você para às 18h, você, pelo menos, senta e vê uma linda história de amor. Acho que isso faz a diferença. A gente precisa é um pouco disso, de histórias mais suaves”, completa Monjardim.

Ele se envereda nessa frequência do amor também em seu novo filme, O Avental Rosa, o primeiro autoral de sua carreira, previsto para ser lançado no início do ano que vem e que conta a história de uma mulher de 50 anos, que cuida de pacientes terminais e “vai descobrindo o amor dentro dela”. “O filme vem completamente oposto a essa onda (de ódio) que está aí. Essa minha proposta como realizador, como artista. Eu não quero fazer nada violento.”

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.