O telespectador desavisado pode até ter a impressão de que Pedro Bial ganhou nova função, ao vê-lo diante um cantor em plena performance na segunda temporada do Na Moral, que estreia em julho. Na volta do programa, os convidados que faziam as vezes de DJ, vão soltar a voz no microfone.

“Vai ter mais show ao vivo. O artista vai cantar uma música ligada ao tema. E serão músicas que eles não costumam cantar”, avisa o roteirista Marcel Souto Maior. “Quando o convidado não for um cantor, ele pode se expressar pela sua especialidade, fazer um esquete”, detalha Bial, que já gravou uma edição com Marcelo Adnet, o economista Sérgio Besserman Vianna e a cantora de funk Valesca Popozuda.

A estrutura do programa foi mantida. A cada bloco, diferentes temas e visitantes virão à tona. Para Bial, a troca abrupta de quem está no palco não interrompe o aprofundamento da conversa. “A experiência nos provou o contrário. A discussão fica mais rica, vamos abordar todos os lados, fica mais plural”, disse à reportagem. “É para ser surpreendente, variar os temas e as formas”, reforça o diretor José Lavigne. Segundo Souto Maior, a ideia deste ano é deixar os assuntos abordados no programa mais próximos da realidade de quem assiste. “Buscamos personagens mais fortes, não levar só o especialista, a gente que sofre”, explica Souto Maior.

Situações como os protestos em diferentes capitais não estão na pauta da atração, por enquanto. “Nosso programa tem como orientação temas da atualidade, não os factuais. Todos os temas do ano passado estão nessas ideias que estão nas ruas”, analisa Bial, que mobiliza a equipe para gravar as edições com uma semana de antecedência. O apresentador enfatiza que os debates não serão maçantes. “A proposta original é tratar de temas complexos com leveza, sem perder o humor. Não é telejornal, são discussões morais da vida.”

O jornalista conta que o Na Moral vai beber na fonte de formatos antigos. “Vamos reencenar o Você Decide, que, em 1992, abordou honestidade e corrupção. Vamos repetir a enquete para ver o que mudou na opinião pública”, adianta Bial. No episódio em questão, um publicitário encontrava uma mala com dinheiro e ficava na dúvida se devolvia ou não. O público decidiu que ele não devia entregar.

“É uma coincidência total. Isso foi ao ar durante o processo que levou ao impeachment do (ex-presidente Fernando) Collor, com o povo na rua. E agora, estão aí os novos caras-pintadas”, relembra o apresentador, que, eventualmente, poderá fazer entradas ao vivo em cima do programa gravado.

Para Pedro Bial, uma das participações mais marcantes foi a de Xuxa que, quando questionada sobre o que faria se tivesse momentos de anonimato, declarou que “ia beijar muito, namorar muito, dar muito”. “Ela foi surpreendente. Era uma Xuxa que ninguém tinha visto, ela desceu do trono”, avalia. A presença de artistas do elenco da Globo e de outras figuras conhecidas do público serão mantidas, apesar dos convidados anônimos. “A gente trabalha com espetáculo, tem de fazer cartaz, faz parte da linha de show”, justifica o diretor.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.