De tão desafiadora, a premissa de “Homens de Preto 3”, para Will Smith, beirava a estupidez. Retomar uma franquia após dez anos era muito arriscado. Mas alterar justamente o melhor da fórmula, a relação azeitada entre um divertido Smith e um lacônico Tommy Lee Jones, substituindo esse ator, parecia suicídio. “Fomos muito agressivos. Nós dois tínhamos um ritmo, uma sintonia. Era como quando você tem uma nova namorada e precisa começar do zero com ela”, diz Smith. Felizmente para o ator (e o público), mais do que aliens melequentos criados por computação gráfica e efeitos vertiginosos do 3D, a química com Josh Brolin, que entra em cena como o agente K (Jones) jovem, é o grande trunfo do produto temporão da franquia.

Mas é preciso embarcar no nonsense que se derrama sobre a trama para não sentir a náusea da viagem. Um perigoso alien, Boris, um motoqueiro com cara de mau e qualidades de monstro, escapa de uma prisão extraplanetária e acaba com o agente K, ainda Tommy Lee Jones. A missão do agente J, Will Smith, é voltar no tempo, mudar o curso dos acontecimentos e, assim, salvar a vida do amigo, evitando que, no futuro, ele seja assassinado. Um plano ousado, e seu fracasso leva também a uma invasão alienígena que destruirá o planeta.

Uma das melhores piadas é simplesmente ver Josh Brolin, aos 44 anos, caracterizado como o agente K aos 29. O ano é 1969 e o conflito de tecnologias rende momentos engraçadinhos. Como quando ele apresenta a J os instrumentos de trabalho dos Homens de Preto: o famoso neuralizador, aparelhinho usado para apagar a memória de terráqueos quando eles presenciam um incidente alien, é um trambolhão que parece uma máquina de ressonância magnética.

A caracterização de Brolin é precisa. A feição travada, o constante quase-sorriso e o sotaque de Tommy Lee Jones estão lá. Mas quando recebeu o convite do diretor Barry Sonnenfeld (que também dirigiu os dois primeiros longas), Brolin levou tempo para se convencer. “Tive muito medo. O risco de eu ficar parecendo uma imitação ruim do Tommy era grande. Era como se me dessem uma guitarra desafinada. Você não quer tocar, não quer ouvir aquele som. Mas insiste, até pegar o jeito”, diz o ator. E para pegar o jeito, o ator se enfiou num quarto de hotel, sem celular, munido de um laptop e os antigos MIBs. “Aquele sotaque interiorano do Tommy é absurdo. Foi um longo processo.”

Sonnenfeld foi às lágrimas na primeira filmagem de Smith e Brolin. “Will veio com a ideia da viagem no tempo quando ainda filmávamos Homens de Preto 2 (2002), e eu sabia que só levaríamos aquilo adiante com alguém tão bom quanto Tommy. Naquele instante, tive a certeza de que tínhamos um filme”, disse o diretor. “A segunda coisa que pensei foi: coitado do Josh, ninguém vai reconhecê-lo.”

Associado a papéis com forte carga dramática nos recentes “Onde os Fracos Não Têm Vez” (2007), “Milk – A Voz da Igualdade” (2008), “W” (2008), Josh Brolin contribui para um humor que se distancia um tanto do besteirol mais escancarado dos primeiros longas. “Há um centro emocional, uma dose maior de drama”, adiantou Smith. Ao ouvir isso, Brolin dá de ombros. “Eu não sou engraçado, não sei ser engraçado. Isso só funciona com Will do meu lado.” Smith, o grande nome à frente da franquia MIB, responde com um tapa no ombro de Brolin e uma piscadela: “Oh Josh!”. As informações são do Jornal da Tarde.