Mais novo diretor criativo da Céline, Hedi Slimane vê traços de puritanismo, conservadorismo e até homofobia nos ataques que vem recebendo na mídia e nas redes sociais desde que assumiu a direção criativa da Céline. Na temporada de Paris, eles foram intensificados depois de seu desfile de estreia em que propôs uma guinada de 180º no estilo da marca.

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Na noite desta quarta-feira, 3, ele se pronunciou (por e-mail) no programa de TV francês 5 Minutes de Mode by Loïc Prigent, exibido pelo canal TMC. “É sempre muito chocante e sempre sinto como se estivessem falando de outra pessoa”, declarou, sobre as várias críticas que recebeu (uma delas, no Hollywood Reporter, chegou ao exagero de questionar se ele seria o Donald Trump da moda).

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“O espírito do desfile era leve e alegre, mas leveza e despreocupação têm sido questionadas hoje em dia. Já passei por isso na Saint Laurent”, escreveu, colocando a maneira como vem enxergando essa onda de ataques. “Estamos lidando com política, conflitos de interesse e panelinhas, uma atitude previsível, mas também com exageros desconcertantes de conservadorismo e puritanismo”, defende o francês.

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“A violência é um reflexo dos nossos tempos – o espírito de turba inflamada das redes sociais, apesar do fato de ser uma formidável ferramenta de comunidade. Não há limites, o ódio é amplificado e ele assume o controle”, prossegue.

Ele vê ainda excesso de escândalo na maneira como a crítica anglo-saxã se posicionou em relação aos seus vestidos curtinhos de noite. “Significa que as mulheres não são mais livres para vestir minissaias se quiserem?”, questiona.

Para ele, comentaristas norte-americanos foram especialmente sensíveis ao fato de ele substituir uma estilista mulher (Phoebe Philo). “Para alguns, na América, ainda tem o mau gosto de ser um homem substituindo uma mulher. Você poderia ler um subtexto de homofobia latente que é bastante surpreendente. Um homem desenhar uma coleção para mulheres é uma questão?”, pergunta ele.

Na história da moda, não são poucos os casos semelhantes, como Christian Dior e Yves Saint Laurent, passando por Gianni Versace e Azzedine Alaïa, claro, entre mulheres geniais, como Coco Chanel, Jeanne Lanvin, Miuccia Prada e Rei Kawakubo.

“No fim do dia, tudo isso é uma publicidade inesperada para essa coleção. Não esperávamos tanto. Acima de tudo, [esse sentimento] cristaliza uma forma bastante francesa de anticonformismo e liberdade de tom na Céline”, conclui.