Em 4 de janeiro de 1853, há 173 anos, Solomon Northup finalmente voltava para casa. O violinista negro americano, nascido livre em Saratoga, Nova York, havia sido sequestrado, drogado e vendido como escravo na Louisiana por míseros 650 dólares.
Se você curte filmes históricos, provavelmente já se emocionou com “12 Anos de Escravidão”, longa de 2013 baseado nas memórias deste homem que viveu um verdadeiro pesadelo. Durante os 12 anos de cativeiro, Northup enfrentou trabalhos forçados e torturas brutais, enquanto sua família e amigos sequer imaginavam seu paradeiro.
A libertação de Northup só foi possível graças a um trabalhador aliado da plantação, que arriscou-se enviando cartas em seu nome para contatos no norte. O Smithsonian conta que essas mensagens chegaram às mãos certas, desencadeando esforços para resgatá-lo. Sua libertação encerrou um capítulo sombrio e iniciou uma luta por justiça e verdade.
O impacto foi imediato. Em poucas semanas, Northup tornou-se símbolo nacional. A imprensa da época, incluindo o New York Times, cobriu detalhadamente sua história. Em reportagem de 20 de janeiro de 1853, o jornal descreveu como ele foi drogado em um hotel em Washington, DC, quando se preparava para uma apresentação com um circo itinerante. Acorrentado e brutalmente espancado por James H. Burch, um traficante de escravos, Northup tentou declarar sua condição de homem livre, mas foi silenciado sob ameaças de morte.

O que veio depois mostrou todas as falhas do sistema judicial daquela época. Northup foi impedido de testemunhar contra Burch por causa de uma lei absurda que proibia testemunhas negras de depor contra réus brancos. E os donos das plantações que exploraram seu trabalho? Ficaram impunes, protegidos por uma legislação que limitava a responsabilização de crimes após dois anos.
“Pelas leis da Louisiana, nenhum homem pode ser punido lá por ter vendido Solomon como escravo injustamente, porque mais de dois anos se passaram desde que ele foi vendido; e nenhuma recuperação pode ser obtida por seus serviços, porque ele foi comprado sem o conhecimento de que era um cidadão livre”, dizia o artigo do New York Times.
Em 1854, Northup finalmente pôde testemunhar contra Alexander Merrill e Joseph Russell, os homens que o haviam enganado e vendido. Mas depois de dois anos de apelações, o caso foi arquivado. Os culpados escaparam sem punição.
Determinado a não deixar sua história ser esquecida, Northup publicou “Doze Anos de Escravidão” em 1853. O livro foi um sucesso imediato, vendendo 30 mil cópias – número impressionante para a época – e se tornou um marco literário que expôs os horrores da escravidão com detalhes perturbadores.
A obra provou ser atemporal. Mais de 150 anos depois, ganhou nova vida com a adaptação cinematográfica premiada com o Oscar em 2013, levando a história de Northup para uma nova geração e reafirmando a importância de não esquecermos este capítulo sombrio da história.



