Sem ele, teria sido muito mais difícil para Mike Stern, Pat Metheny, Bill Frisell, John Pizzarelli, John Scofield, entre outros inúmeros guitarristas que influenciou ao longo de meio século. Uma das maiores referências da guitarra em toda a história do instrumento, com sua abordagem minimalista e melódica, morreu ontem, 11, aos 83 anos o norte-americano Jim Hall.

Hall morreu em seu apartamento no Greenwich Village, em Nova York. Ao longo de 60 anos de carreira, acompanhou gente como Gerry Mulligan, Art Farmer, Lee Konitz, Ornette Coleman, Paul Desmond, Bill Evans, entre inúmeros outros.

“Muito triste ouvir que o grande guitarrista e maravilhoso ser humano e amigo, Jim Hall, morreu”, postou ontem no Twitter o gigante do contrabaixo, Charlie Haden. Em 1992, a revista Guitar Player colocou Jim Hall entre os maiores, ao lado de Jimi Hendrix e Eddie Van Halen. Em 2004, tornou-se o primeiro guitarrista a receber a distinção de Mestre do Jazz do National Endowment for the Arts do governo americano.

Em abril de 1960, veio ao Brasil pela primeira vez, acompanhando Ella Fitzgerald. Ao regressar aos Estados Unidos, o guitarrista levaria consigo uma nova onda que estava acontecendo por aqui, a bossa nova. Convenceu o saxofonista Sonny Rollins a gravar um disco, What’s New, sob influência do gênero, e acabou sendo pioneiro nesse esforço.

Em setembro de 1987, Jim Hall voltou ao Brasil para o Free Jazz Festival, substituindo Gil Evans. Em um workshop de guitarra no antigo 150 Night Club do Maksoud Plaza, disse: “Uma vez por semana, pelo menos, penso na importância do que faço. Proponho a todos que façam o mesmo”.

Foi influenciado por Charlie Christian e Django Reinhardt. Oriundo de uma família humilde de Cleveland (nascera em Buffalo, New York, em 1930), filho de mãe solteira, ele começou a tocar violão quando tinha 9 anos. Mais tarde, estudou composição e teoria musical no Cleveland Institute of Music. Para ser guitarrista, foi para Los Angeles, onde iniciou sua carreira no quinteto do baterista Chico Hamilton. Em 1955, mudou-se para Nova York e juntou-se ao saxofonista Sonny Rollins. Foi ali que sedimentou sua reputação como um músico que sabia como tocar pesado e também deixar espaços entre as notas. A interpretação de Jim Hall e Sonny Rollins da composição The Bridge, de Rollins, é um compêndio da moderna guitarra no jazz, um contraponto magnífico – como se fosse um jogo de tênis em que Sonny sacava uma bola de basquete e Hall respondia com uma bola de vôlei de praia.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.