O governador de São Paulo, João Doria, anunciou nesta sexta-feira, 4, que vai disponibilizar R$ 200 milhões em linhas de crédito direcionados para a produção de filmes, documentários e até de games, com o objetivo de fomentar o crescimento do setor audiovisual no Estado. O financiamento, no entanto, não contemplará filmes de viés ideológico, expressão que, para Doria, se refere a obras que tenham algum cunho político-partidário.

“Se alguém quiser fazer um filme que exalte a vida do Lula, por exemplo, que pague pela produção e distribuição. Nós não vamos vetar, proibir, censurar, nem criar nenhum tipo de limitação. Mas financiamento com o dinheiro público, não”, afirmou o governador, acrescentando que essa decisão é apenas para assuntos políticos, sem envolver pautas de comportamento. “Isso se restringe à política especificamente. Levamos a sério o nosso conceito de que a diversidade deve ser respeitada em todas as suas manifestações.”

Lançado nesta sexta-feira, 4, no Palácio dos Bandeirantes, o Programa de Investimento no Setor Audiovisual de São Paulo (ProAV SP) é uma ação integrada entre a Secretaria de Cultura e Economia Criativa e a Desenvolve SP – instituição financeira do governo de São Paulo. A proposta é uma oferta de R$ 200 milhões disponíveis ainda este ano em duas linhas de crédito e uma de investimento, com juros mais atrativos e maiores prazos de pagamento.

A ideia é que as linhas lançadas possam suprir a lacuna encontrada pelas empresas de produção audiovisual no momento de financiar planos de expansão e fluxo de caixa dos projetos. Assim, de acordo com o secretário de Cultura e Economia Criativa, Sérgio Sá Leitão, as empresas poderão se tornar mais competitivas, tendo maior acesso a capital para ocupar os novos espaços e aproveitar as transformações que o mercado audiovisual está passando.

Questionado sobre a crise na Ancine e se o ProAV funcionaria como uma forma de suprir os recursos retidos na agência, mas sem substituir, o secretário afirma que o programa vai funcionar de forma complementar ao trabalho que já vinha sendo feito pela Ancine e pelo Fundo de Investimento Setorial.

“Eu espero que as questões em relação à Ancine se resolvam logo, porque a agência é fundamental para esse setor e que o Fundo Setorial funcione e possa ser expandido e até melhorado”, informa o secretário. “O diferencial é que o investimento público nessa área sempre se deu por projetos e aqui nós estamos trabalhando diretamente com as empresas”, acrescentou.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.