Um Bataclan colorido, dançante e com uma Maria Machadão que canta; cenas de sexo sugerido e carinhoso entre Gabriela e Nacib e uma fotografia de cinema foram as primeiras impressões deixadas pelo clipe de “Gabriela” ? próxima trama das 23 horas da Globo com estreia prevista para junho ?, apresentado na segunda-feira no lançamento da novela em badalado restaurante de Salvador, Bahia. “Não tinha visto nada ainda, não gosto de me assistir antes da estreia, mas pelo que vi, estou emocionada e satisfeita”, disse a protagonista Juliana Paes, que escutou do autor, Walcyr Carrasco: “Você está ótima, mas isso, eu já sabia”, após a exibição das cenas aos jornalistas e convidados.

Segundo o autor, discípulo de Walter Avancini (diretor da novela homônima de 1975), fazer “Gabriela” era um sonho antigo. “É uma obra eterna. Sempre me chamou a atenção a discussão moral e política e, há quatro anos, venho pedindo à Globo para fazer Gabriela, mas só este ano, centenário do Jorge Amado, eles me deram o aval”, disse Carrasco. “Topei na hora, emendei o fim de Morde & Assopra com o início de Gabriela e fiquei sem férias.”

Com 20 capítulos escritos, dos 76 que compõem a nova versão, Carrasco garante não ter visto a primeira novela, que eternizou Sônia Braga no papel, e diz que está se baseando só no livro para compor a história. Ele também conta que visitou famílias tradicionais de Ilhéus e deu dicas sobre a cenografia a Mario Monteiro, cenógrafo da Globo que participou da novela de 1975.

Sobre a escolha de Juliana e Humberto Martins (o novo Seu Nacib), Carrasco explicou que Juliana tem “o olhar de Gabriela”. “Ela tem uma coisa maliciosa e ao mesmo tempo de criança, é brincalhona e tem carisma, o que Gabriela também tem. Já o Nacib tem uma coisa que o Humberto tem: uma certa inocência no olhar, apesar de ser muito másculo. O Nacib é capaz de ter uma fragilidade dentro da virilidade.”

Ao lembrar Armando Bogus (o Nacib da novela de 1975), Humberto Martins chegou a se emocionar. Os dois trabalharam no mesmo núcleo na novela “Pedra sobre Pedra” (1992), ele como o cigano Iago e Bogus como o ambicioso Cândido Alegria. “Nos tornamos muito amigos na época e, infelizmente, logo depois ele morreu. Mas aprendi muito com ele. Ele tinha uma concentração incrível e uma percepção de cena fora do comum. Acho que hoje ele possa estar ligado, de alguma forma, à minha escolha para este papel.”

Juliana dividiu as atenções na festa com Ivete Sangalo, a Maria Machadão da vez que, em cena, canta a versão musicada do poema “Canção para Ninar Malvina”, retirada da obra de Jorge Amado. “Fui recebida e tratada como atriz, não como alguém que tá começando”, disse a cantora, que conheceu Jorge Amado aos 13 anos. “Eu era amiga de uma sobrinha ou neta dele, não lembro. E, no recreio da escola, fui uma vez à casa dele no Rio Vermelho. Lembro dele sentado numa cadeira branca de madeira, dizendo que eu parecia um coqueiro, porque eu era comprida.”

Segundo Carrasco, a ideia de convidar Ivete surgiu depois que ele a viu no especial de fim de ano da Globo: “Ivete é uma grande atriz. Acho que ela não vai fazer só esta novela. Ela vai tomar gostinho pela coisa. E eu a convidaria.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.