Lisboa – O Rock in Rio -Lisboa foi inaugurado na noite de sexta-feira, pelo ex-Beatle Paul McCartney, e mais a entrevista coletiva de abertura do festival, em um hotel de luxo da capital portuguesa, foi concedida pelo ministro Gilberto Gil, pelo cantor Rui Veloso e pela maestrina Joana Carneiro, todos escalados para a abertura oficial do festival, no sábado à tarde. Repetindo a agenda do Rock in Rio 3, em 2001, Gil e Veloso cantarão “Imagine”, de John Lennon, acompanhados por uma orquestra, a Metropolitana de Lisboa, regida por Joana (há três anos o baiano dividiu o palco com Milton Nascimento e com a Orquestra Sinfônica Brasileira). A imprensa, no entanto (compareceram cerca de 50 jornalistas, boa parte brasileiros) concentrou as perguntas em Gil, o que o obrigou, várias vezes, a dizer que estava lá como artista, e não como ministro. Joana e Veloso limitaram-se a dizer que estavam felizes e honrados pela oportunidade, e o cantor ainda conseguiu resmungar contra a música eletrônica.

“A maior parte do que ouço não me agrada, pelo contrário, me incomoda. Ainda não encontrei um bom substituto para o piano acústico”, disse ele.

Gil falou que a reação dos portugueses ao festival é imprevisível: “É um povo mais quieto do que o brasileiro, mas que certamente saberá traduzir para a sua língua a arte que será produzida no palco”, disse o ministro, que compareceu à entrevista de terno e gravata. “Tenho certeza de que será um belo festival”.

Ao final, cedendo à insistência dos repórteres, ele corrigiu uma afirmação que teria feito na última semana: “Jamais disse que o governo Lula não vai ser melhor do que o governo Fernando Henrique. Apenas lembrei que o orçamento que temos é tão apertado quanto o dinheiro que se tem para gastar é o mesmo. Mas é claro que ele pode ser mais bem gasto”, explicou.