Crônicas, pesquisas, cartuns, dicionários, estudos sociólogos, enfim, quase todos os gêneros literários voltam-se para o futebol do momento em que Coréia e Japão sediam a Copa do Mundo. Praticamente todas as editoras brasileiras têm um título nas livrarias sobre futebol, sendo que a Record é que tem as vitrines mais vistosas.

A Editora Record revive as crônicas do poeta Carlos Drummond de Andrade em Quando é Dia de Futebol, prefaciado por Pelé. Paulo Mendes Campos é lembrado pela Civilização Brasileira em O Gol é Necessário. Jorge Amado também entra em campo, com A Bola e o Goleiro. Na seleção da Record estão também David Yallop em Como Eles Roubaram o Jogo, retratando a Fifa. Betty Milan em o País da Bola e Dicionário de Futebol, de Haroldo Maranhão.

Pela Editora Geração Conteúdo, tem-se a terceira edição do Projeto Camisa 13: Palmeiras um Caso de Amor, de Mário Prata. O livro conta a história de um corinthiano fanático que mente sobre seu time do coração, se passando por um palmeirense, no momento em que se apaixona. Sua atitude se deve ao fato de toda a família da sua namorada ser palmeirense. Para conquistar o pai da garota, ele pesquisa muito sobre o Palmeiras e acaba mudando de time.

Em A Regra é Clara (Editora Globo), Arnaldo Cezar Coelho mostra que a culpa nem sempre é do juiz, ao revelar aspectos de sua vida ligados ao futebol e a arbitragem. Além disso, o livro apresenta as dezessete regras do futebol: sua origem e seu desenvolvimento histórico, incluindo comentários e respostas para questões difíceis. E também expõe casos bastante curiosos envolvendo árbitros do futebol brasileiro e internacional e uma história da arbitragem nas Copas do Mundo.

A Nova Alexandria prepara o lançamento de Sociologia do Futebol – Bases Histórias e Socioculturais do Esporte das Multidões, do sociólogo britânico Richard Giulianotti. Para as apresentações, a editora convidou dois craques do jornalismo, José Geraldo Couto e Daniel Piza. A obra apresenta a história dos grandes jogadores e das maiores seleções, as disputas que levaram as torcidas ao delírio e a penetração do futebol nas diversas culturas. Em seu estudo, Giulianotti procura compreender a razão e os desdobramentos desse fenômeno mundial.

Em paralelo à exposição Técnicos: Deuses e Diabos na Terra, que acontece em São Paulo, no Sesc Ipiranga, dia 13 próximo será lançado um catálogo com artigos inéditos sobre o papel e a atuação do técnico de futebol, incluindo desenhos humorísticos dos cartunistas convidados. Os autores participantes são Armando Nogueira, Cacá Rosset, Carlos Alberto Parreira, Casagrande, Flávio Gikowate, Gual & Jal, José Guilherme Cantor Magnani, José Miguel Wisnick, Juca Kfouri, Luiz Henrique de Toledo, Orlando Duarte, Paulo Nassar, Roberto Da Matta, Ruy Castro, Soninha, Ugo Giorgetti e Zélio Alves Pinto. A edição – organizada pelo sociólogo Luiz Octávio de Lima Camargo, com capa de Ziraldo, ilustrações de Jal e projeto gráfico de Gual – reúne ainda textos já publicados dos autores Clarice Lispector, Eduardo Galeano e Nelson Rodrigues a respeito do tema.

Jorge Zahar Editor, por sua vez, lança Futebol Uma Paixão Nacional, de Aquino, enquanto o jornalista Mário de Moraes autografa Futebol é Arte. Moraes (Prêmio Esso de 1955) escreveu dois volumes de 400 páginas, contando a história do futebol desde os seus primórdios até os dias de hoje; descritas todas as Copas do Mundo; o futebol nas olimpíadas; os que poderiam ter sido campeões do mundo e não foram (Friedenreich, Leônidas, Ademir, Zico etc.); um dramático depoimento de Garrincha – a quem o livro é dedicado – e o torcedor visto por Nélson Rodrigues. No segundo volume, três depoimentos inéditos: de Domingos da Guia, de Zizinho e de Pelé (como Pelé deu seu depoimento em 1966, ele foi atualizado até os dias de hoje).

Dois álbuns ilustrados também voltam-se para o tema. Pela Via Lettera surge Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol, que reúne onze histórias em quadrinhos em 112 coloridas páginas. O prefácio é de Tostão e a introdução de José Roberto Torero e, entre os craques do traço, Spacca, Maringoni e Bá. A Melhoramentos, inaugurando a série Manuais, lança Manual de Futebol Dicas do Pelé, em que personagens de Disney ilustram todo tipo de informações sobre o popular esporte, desde quando surgiu a Copa do Mundo e quanto a numeração das camisas tornou-se obrigatória.

Times do Paraná em enciclopédia

Você sabia que algumas das duplas mais conhecidas do futebol brasileiro fizeram história no Atlético Paranaense? O centroavante Washington e o ponta-de-lança Assis, conhecidos como “casal 20”, marcaram juntos 36 dos 70 gols do rubro-negro no campeonato paranaense de 1982, dando o título ao time. O sucesso da dupla foi tanto que depois eles foram negociados com o Fluminense. Ganharam o tri carioca e o campeonato brasileiro em 1984.

Sabia também que um dos maiores jogadores da história do Coritiba, o zagueiro Fedato, conseguiu a façanha de permanecer oitenta partidas sem levar qualquer tipo de punição dos árbitros em 1951? E que o Paraná Clube, embora seja um novato, se tivesse incorporado os títulos dos times que lhe deram origem, seria o segundo maior vencedor da história do campeonato paranaense, com 28 títulos? Essas e outras histórias estão na Enciclopédia do Futebol Brasileiro.

A enciclopédia, nas livrarias desde março, é uma concepção editorial do Lance! com supervisão de Marcelo Duarte, autor da série Guia dos Curiosos. São dois volumes com 504 páginas, trazendo tudo sobre futebol, incluindo informações sobre os 53 times do Paraná.

Futebol é também tema de festival

O 4.º Festival Internacional Tim de Curtas-Metragens de Belo Horizonte, que começa hoje, também dedica parte de sua programação ao futebol. Oito curtas-metragens provam que o futebol não é uma “paixão nacional” apenas para os brasileiros. O cineasta e escritor José Roberto Torero selecionou quatro curtas nacionais que mostram como o fanatismo vivido nos campos foi levado para as telas de cinema. E Michel Raluy, curador do Festival Internacional de Clermont-Ferrand, preparou um programa com quatro curtas europeus abordando a visão internacional do futebol no cinema.

Para completar a discussão, haverá no dia 10 um debate sobre a relação entre futebol e cinema, mediado por José Roberto Torero, com a participação de Michel Raluy e da jornalista Beatriz Morais.

Até dia 16, o festival exibirá mais de 200 filmes em mais de cem sessões gratuitas.

Zona do Agrião

O Trauma da Bola – A Copa de 82 por João Saldanha, de João Saldanha, e Visão de Jogo: Primórdios do Futebol no Brasil, de José Moraes dos Santos, estarão em lançamento dia 8 próximo, através da Editora Cosac & Naify, no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro. Os livros integram a coleção Zona do Agrião, coordenada por Jorge Vasconcelos e Rodrigo Lacerda.

No livro de Saldanha, então colunista do Jornal do Brasil, estão as crônicas escritas de março a agosto de 1982, cobrindo desde os últimos amistosos da seleção, antes do embarque para a Espanha, até o exame de consciência nacional que seguiu-se à terrível derrota para a Itália.

Em Visão do Jogo, Santos Neto faz uma saborosa recapitulação do advento do futebol por aqui, entre 1882 e 1920. Ao contrário do que normalmente se diz, essa história não começa com a vinda de Charles Miller para o Brasil, em 1894, trazendo na mala suas bolas, seu livro de regras e um par de chuteiras. Várias fontes levantadas mencionam desde rudimentares jogos recreativos com a bola no pé, até os progressos rumo ao domínio das regras oficiais, da bola e dos esquemas táticos então vigentes. Além da pesquisa documental, vale chamar a atenção para a iconografia que ilustra todo o livro. São fotos do futebol ainda no pátio dos colégios religiosos dos anos 1880 e 90, dos primeiros times e dos ídolos da época.

 

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