O frevo acaba de ser incluído na lista do patrimônio imaterial da Unesco. A decisão, anunciada hoje durante a sétima sessão do Comitê Intergovernamental do Patrimônio Cultural Imaterial da Unesco, foi recebida com euforia pela delegação brasileira que acompanhava as discussões em Paris.

Passistas pernambucanos carregando os tradicionais miniguarda-chuvas coloridos chegaram inclusive a ensaiar alguns passos em meio ao auditório, arrancando aplausos da plateia.

A ministra da Cultura, Marta Suplicy, que chegou ontem à capital francesa para acompanhar a eleição, disse à reportagem que a inclusão do frevo à lista é extremamente importante. “Para nós, o frevo junta várias áreas: a dança, a capoeira, a música, o artesanato. É um enorme orgulho ter todas essas capacidades reconhecidas.

O reconhecimento nesse nível internacional vai ajudar a manter essa riqueza, que é nossa, por muitos e muitos séculos”, afirmou.

O reconhecimento de uma prática como patrimônio imaterial não determina nenhum aporte financeiro concreto, mas serve, segundo a presidente do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), Jurema Machado, com meio de promoção e visibilidade, além de “abrir mais possibilidades para medidas de salvaguarda”, disse em Paris.

A noção de patrimônio imaterial inclui práticas e expressões que são transmitidas de geração em geração e que contribuem para a identidade de uma determinada comunidade. A Unesco registra cinco grandes domínios que formam o patrimônio imaterial, entre eles a tradição e expressões orais, rituais e eventos festivos, artesanato, além de conhecimentos ligados à natureza e ao cosmos.

O frevo, nascido no Estado de Pernambuco, se tornou o terceiro elemento brasileiro a ser reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Em 2003, a Unesco já havia incluído à lista a pintura corporal e arte gráfica dos índios Wajãpi, do Amapá e, em 2005, o samba de roda do recôncavo baiano.