| Luiza Dantas/Carta Z Notícias – Data: 03/10/2006 |
| Leandro Firmino com coadjuvantes durante gravação da novela Vidas Opostas. |
Duas realidades completamente diferentes, em um verdadeiro ?choque? social entre ricos e pobres. Esse é o enredo de Vidas Opostas, novela de Marcílio Moraes que a direção da Record aprovou para substituir Cidadão Brasileiro no horário nobre da emissora. Prevista para estrear em novembro, a trama é uma inusitada mistura de Cidade de Deus com Cinderela. Um rapaz milionário da zona sul carioca apaixona-se por uma jovem favelada, em uma relação atribulada que reúne muitas cenas de ação, violência e criminalidade. ?Meu objetivo é fazer uma novela que vá fundo na ?fratura? social brasileira. Os protagonista são de pontas opostas da pirâmide social?, explica o autor Marcílio Moraes.
A novela será gravada em uma favela real. O cenário escolhido foi a comunidade Tavares Bastos, chamada na novela de Bairro Torto, localizada no Catete – bairro da zona sul carioca. Dominado pelo Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar, o Bope, o morro é um dos únicos na cidade que não sofre com o tráfico de drogas – além de possuir uma belíssima vista para o mar. A história, no entanto, será violenta. Logo no primeiro capítulo, Sovaco e Pavio, personagens de Leandro Firmino e Philippe Haagensen, estão no comando do tráfico e são surpreendidos com a invasão de uma facção liderada por Jeferson e Jackson, irmãos vividos por Ângelo Paes Leme e Heitor Martinez – antigos chefes que querem recuperar o poder no morro. ?Será uma maneira de informar ao público que cada vez mais jovens estão se envolvendo com o crime organizado?, observa Leandro Firmino.
Nessas primeiras cenas, a produção movimentou cerca de 200 pessoas no local – entre imprensa, atores, figuração e técnicos. Para aproximar ainda mais a novela da realidade, uma equipe da Record selecionou moradores locais para compor a figuração. Durante dez horas, foram gravadas oito cenas de conflito entre as facções rivais, com intensa troca de tiros e fuga em carros e motos. Compradas de colecionadores, todas as armas passaram por uma adaptação para disparar somente balas de festim. ?Essa é uma realidade. As pessoas nas favelas andam altamente armadas e a comunidade vive espremida entre a polícia e os bandidos?, observa o diretor Alexandre Avancini.
A novela, no entanto, vai bem além da ?barbárie?. O universo dos milionários será o segundo plano, ambientado no tradicionalíssimo hotel Copacabana Palace, na zona sul do Rio. Lá, quem vai dar as cartas é Erínea, vilã que será interpretada por Lavínia Vlasak. Noiva de Miguel, ela disputará o coração do rapaz com Joana, moça da favela por quem o matemático se apaixona – cujos intérpretes ainda não foram definidos. Outro papel importante será o de Marcelo Serrado, que dará vida ao corrupto delegado Nogueira. ?Ele será o grande vilão da novela. É quem articula toda a operação do tráfico no morro?, adianta Avancini.
Além do crime organizado, Vidas Opostas vai mostrar a cooperação da polícia com a criminalidade. Braço-direito do delegado Nogueira nas negociações com os traficantes, Márcio Garcia fará uma participação de 20 capítulos como o policial Alencar. No elenco também estão Lucinha Lins como Ísis Campobello, mãe de Miguel e dona do hotel, e Nicola Siri como Bóris – perseguido político que retorna ao Brasil após morar anos no exterior. A novela terá também uma equipe de telejornalismo que vai acompanhar a ?guerra? no morro, uma menina órfã que terá importante participação e uma agência de turismo onde Joana trabalha. ?Embora a trama vá abordar questões inéditas, ela mantém os elementos tradicionais dos folhetins. Ou seja, essa realidade dura e violenta será recompensada com romantismo?, aponta Marcílio Moraes.