Uma miríade de imagens, uma viagem entre cores saturadas e o expressionismo do PB. Fotografias que cobrem 40 anos de fotografia de Luiz Braga, um fotógrafo que se tornou conhecido pela poética de suas imagens, pela delicadeza com que trata seus temas pela estética intimista que perpassa por suas imagens. Fotografias singelas, roubadas e concedidas. Imagens do silêncio, do detalhe.

É desta forma que adentramos na exposição Luiz Braga – Retumbante Natureza Humanizada, que será aberta nesta quarta-feira, 28, ao público com curadoria de Diógenes Moura. São 140 imagens que foram selecionadas no decorrer de cinco anos de pesquisa no arquivo do fotógrafo. Um recorte preciso extraído no meio de centenas, milhares de fotografias. Um trabalho conjunto que se iniciou em 2009 e procurou dar testemunho de uma era registrada por Luiz Braga: “90% das imagens são inéditas. Fotografias que estavam em seu acervo, mas que ele mesmo nunca tinha ampliado. Tinha fotografado, mas não visto. Um mundo que ele construiu mas que foi se concretizando durante nossos encontros”, explica o curador.

As fotografias de Luiz Braga não são imediatas. Requerem, para serem visualizadas, um tempo que já não existe. Um tempo que pode ser percebido, quase que tateado. Um tempo palpável. Um ritmo calmo e sem pressa. Não são fotografias calcadas num modernismo oportunista e muito menos seguem estéticas estabelecidas pelo mercado: “Acho que esta exposição – que foi construída lentamente – só foi possível agora pela minha maturidade como fotógrafo e pela própria necessidade de repouso das imagens”, comenta Braga, em entrevista por telefone. O resultado, “uma sinfonia de imagens”, nas palavras do artista, ressalta o cerne de seu próprio olhar.

Luiz Braga não é um fotógrafo viajante, sempre ficou em Belém e na Ilha de Marajó, registrando o que ele mesmo chama de “minha geografia íntima”. Territórios como Soure, Cachoeira do Arari, Salvaterra, Quilombo do Pau Furado.

A montagem é uma exposição que não se prende a temáticas, mas apresenta um recorte destes anos em que ele registrou com naturalidade a calma de sua cidade até os últimos tempos, quando a violência cada vez se faz mais presente e, por consequência, ele se volta para a Ilha do Marajó.

Para o curador não bastava apresentar as imagens de Luiz Braga – ele queria mostrar qual o ambiente em que ele trabalha. Partindo do chavão – que não perde a atualidade – de que não conhecemos nosso País, Diógenes Moura pediu para o coletivo paraense Cêsbixo que realizasse um vídeo de 30 minutos na ilha de Marajó.

Inspirado na obra do fotógrafo, O Sem Nome e o Nada é uma sequência de imagens de sons locais: “Queria mostrar aqui em São Paulo, onde ele vive, o que os seus olhos veem”, explica o curador.

São imagens lentas as que compõem o vídeo reflexivo, que resgata do cotidiano um olhar muito particular: “quem não tem paciência não vai assistir”, conclui Luiz Braga. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.