Um drama que retrata a realidade brasileira, uma história de amor entre a menina rica e o menino da favela e uma típica comédia com atores globais são os temas dos quatro filmes nacionais que estreiam hoje nos cinemas: Era uma vez…,Casa da mãe Joana, Linha de passe e O mistério do samba.

A estréia mais aguardada é de Linha de passe, que retoma pela quarta vez a parceria dos diretores Walter Salles e Daniela Thomas. O filme traz de volta à telona o ator Vinícius de Oliveira, que estreou nos cinemas como o menino Josué, de Central do Brasil, também dirigido por Salles.

Linha de passe retrata alguns meses da vida de uma família da periferia de São Paulo, abordando o sonho de muitos jovens de se tornarem um jogador de futebol profissional, inclusive apelando para a prática de adulteração da idade para atingir o objetivo.

Esse é apenas o ponto de partida para a obra, que abrange outros problemas comuns a muitas famílias brasileiras, como a criação dos filhos por uma mulher sozinha, os milhões de motoboys do País e a cega fé religiosa como refúgio e salvação para os problemas.

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A estréia mais aguardada é Linha de passe, de Daniela Thomas e Walter Salles.

Com sensibilidade e convictas interpretações dos atores, os temas aparecem na família de Cleuza, que mora com seus quatro filhos e está grávida de mais um. A personagem é interpretada pela atriz Sandra Corveloni, ganhadora do prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes deste ano.

Reginaldo, seu filho mais novo, procura obstinadamente por seu pai, que nunca conheceu. Dario, vivido por Vinícius de Oliveira, prestes a completar 18 anos, sonha com uma carreira como jogador de futebol profissional.

Dinho, frentista em um posto de gasolina, procura na religião o refúgio para um passado obscuro. Dênis, o irmão mais velho, já é pai de um filho e ganha a vida como motoboy.

Bem diferente é a proposta de Era uma vez…, de Breno Silveira (mesmo diretor de Dois filhos de Francisco). O diretor afirmou, em uma das pré-estréias, que buscou uma emoção sincera na história que mostra os dois extremos na cidade do Rio de Janeiro, com a paixão adolescente cheia de previsíveis problemas entre uma menina rica (a Nina, vivida pela atriz Vitória Frate) e um menino de favela (o Dé, interpretado por Thiago Martins), que não poderia deixar o tráfico de drogas de fora.

A opção pela filmagem na própria favela do Cantagalo, no Rio de Janeiro, traz cenas bem produzidas. No entanto, a “fábula realista” poderia ter sido mais bem montada e alguns diálogos parecem ser dispensáveis e chegam a ser até forçados. Mas pode ser um bom entretenimento, caso o espectador vá preparado para não esperar surpresas da trama.

Uma boa diversão pode ser a comédia Casa da mãe Joana, que tem no elenco nomes bem conhecidos do público assíduo das novelas globais, como Paulo Betti, José Wilker, Antônio Pedro Borges, Pedro Cardoso, Malu Mader, Juliana Paes e Laura Cardoso.

É a história de quatro amigos, vagabundos por ideologia e farristas por natureza, que transformam o apartamento onde moram numa república da alegria e da irreverência.

Depois de um golpe malsucedido em uma joalheria, os amigos se vêem sem dinheiro e, diante da ameaça de serem despejados do apartamento em que moram, se vêem obrigados a buscar trabalhos inusitados para melhorar a situação.

Outro filme brasileiro que pode ser conferido nos cinemas a partir de hoje é o documentário O mistério do samba, de Carolina Jabor (filha de Arnaldo Jabor) e Lula Buarque de Hollanda (sobrinho de Chico Buarque).

O filme é um retrato simples e poéti,co da Velha Guarda da Portela, uma das comunidades da agremiação carnavalesca mais tradicionais do Rio de Janeiro. O mistério do samba tem participações especiais de Zeca Pagodinho e Marisa Monte.