Curitiba é conhecida, entre outras coisas, como a terra do “Leite quente dá dor de dente”. A frase acentua a principal característica da fala dos curitibanos, mas é difícil encontrar o sotaque representado no audiovisual – com tendência a incorporar o “carioca” como o modo de falar essencialmente brasileiro.

Influenciadas por essa premissa, muitas vezes as pessoas chegam a ficar envergonhadas com o próprio sotaque e querem assumir um outro. A questão é tema central da trama do filme “o sotaquE” (assim mesmo, enfatizando somente o E), dirigido por Marilize Donini, que tem única exibição nesta quarta-feira (2), às 20h, na Cinemateca de Curitiba.

Com o roteiro vencedor do Fundo de Cultura da Fundação Cultural, essa história de ficção tem o sotaque como personagem principal. A trama gira em torno de um sujeito que recebe uma indicação a um prêmio, e precisa elaborar um discurso. O problema é que ele se sente incomodado ao ouvir a própria voz e tenta adquirir uma nova pronúncia.

A preocupação na elaboração do roteiro foi abordar a questão da identidade sem necessariamente defender uma tese. “O sotaque é um elemento forte na identidade cultural, mas hoje, existe a tendência de neutralizar o sotaque local para adotar o padrão Globo”, Luiz Lucena, que elaborou o roteiro em conjunto com a diretora.

Serviço:

o sotaquE
Dia 2 – Quarta-feira, às 20h
Cinemateca de Curitiba
Endereço: Rua Carlos Cavalcanti, 1174 – São Francisco
Entrada Gratuita