Assunto ainda tabu no País do carnaval e de programas televisivos explícitos como o “BBB” e o recente “Sexo a 3”, do dr. Rey, os organizadores do PopPorn Festival querem ver a pornografia debatida como uma expressão natural da sexualidade humana. O evento, que começou no ano passado, inspirado no Pornfilmfestival Berlin, ganha segunda edição no próximo fim de semana, com uma programação de atividades variadas, que transitam nas fronteiras da indústria do sexo, da cultura pop e da arte.

“É discutir o sexo nas intersecções com a arte, com o cinema, com a performance, com a música, enfim, e como isso é representado nesses meios, nessas áreas diferentes, inclusive na indústria do sexo, na pornografia”, define a jornalista Suzy Capó, umas das organizadoras do festival.

Na estreia, o PopPorn teve uma programação espalhada por locais diversos, ao longo de uma semana, experiência que não foi satisfatória, deixando o evento “muito solto”, explica Suzy. Desta vez, tudo se concentra em 48h, desde as 22h de sexta-feira, em um só local, a escola de produção audiovisual Trackers, no centro. Ganhou, então, o apelido de Virada Porn.

Dos 58 filmes em exibição, entre longas e curtas-metragens, destacam-se exemplares da produção do cubano Jorge Molina que, como conta a organizadora, foram proibidos no país dos irmãos Castro. O diretor terá o longa “Molina’s Ferozz”, no qual subverte o conto infantil da Chapeuzinho Vermelho, mostrando uma jovem cheia de energia sexual. “É um filme bem latino. A gente não tem muito mais produção erótica no cinema latino-americano como na década de 1970, por exemplo, com a pornochanchada no Brasil”, diz Suzy.

Três curtas do cubano – “Molina’s Solarix”, “Molina’s Test” e “Molina’s Culpa” – também serão exibidos. A produção latina de curtas tem espaço na programação especial Cojame Mucho, assim como a brasileira, na mostra Pornô BR. Animações, como a “O Melhor Amigo do Homem”, de autoria anônima, produzida em 1947, são as atrações da Animay.

O festival terá ainda a première do documentário nacional “A Primeira Vez do Cinema Brasileiro”, de Hugo Moura Santos, que aborda o primeiro filme pornô realizado no País, “Coisas Eróticas”, produzido pelo ítalo-brasileiro Raffaele Rossi e lançado em 1982, durante o regime militar. As informações são do Jornal da Tarde.

FESTIVAL POPPORN

Trackers (Rua Dom José de Barros, 337). De sexta a domingo. Ingressos: R$ 20 (workshop); R$ 25 (filmes e debates); R$ 75 (passaporte, com filmes, debates e festa). www.popporn.com.br