Cinco finais de semana para se nutrir de toda a exuberância da Mata Atlântica e da força do lugar e das pessoas que cultivam e produzem na região de Morretes, litoral do Paraná. Essa é a ideia do Morretes Chef, festival que está na segunda edição é que tem como objetivo proporcionar uma experiência completa a quem visitar a cidade a partir desta quinta-feira (1) até o primeiro dia de setembro. O evento mescla gastronomia, turismo e cultura de forma a tornar única cada escolha de roteiro. No festival, os restaurantes oferecem pratos com entrada, prato principal e café expresso por R$ 53.

São diferentes combinações possíveis entre as opções de cardápio criadas para o evento em 11 restaurantes da cidade. Além disso, as expedições a lugares de produção de ingredientes da culinária local e que são feitos em um cenário de biodiversidade rara e repleto de tradições.

Essa ênfase em sair do lugar comum e valorizar a territorialidade levou os 10 chefs convidados a criar receitas únicas para a 2ª Edição, tendo como base ingredientes produzidos localmente. Há dois meses, o Morretes Convention e Visitors Bureau, realizador do evento, produziu uma caixa de alimentos com a ajuda de agricultores da região, que foi entregue para cada chef como fonte de inspiração para a criação das receitas, trazendo itens como banana da terra, maná-cubiu, ora-pro-nóbis e aipim.

Além dos chefs convidados, o Morretes Chef também ampliou o desafio de preparar pratos utilizando alimentos locais para estudantes de Gastronomia da graduação e pós da UP (Universidade Positivo), que participaram do Concurso Gastronômico Morretes Chef. “São dez cardápios com entrada e prato principal de chefs renomados que fizeram essa troca de experiência com as equipes dos restaurantes participantes e mais o prato principal vencedor no concurso da UP, do chef Luiz Felipe Tomazelli, que será servido no Restaurante Nhundiaquara por outro valor, R$ 106, por atender de duas pessoas”, explica o organizador evento, Marcus Andreoli.

Os menus dos pratos individuais incluem entrada, prato principal e café expresso por R$ 53. Todos os pratos contaram com a curadoria de Celso Freire, até mesmo o prato vencedor do concurso, que foi uma pescada (ou peixe da estação) com castanhas brasileiras, musseline caiçara, cebolas tostadas e creme de salsa. “Chamou atenção dos jurados o contraste de sabores que busquei trazer em um prato que representa a união da terra com o mar e valoriza a cultura caiçara. Cada garfada traz sabores diferentes, mas as pessoas identificam o que estão comendo, o maracujá na farofa, a pimenta e o gengibre e toda a suavidade da musseline caiçara que mistura banana da terra à mandioca”, descreve o chef Luiz Felipe Tomazelli.

Foto: Divulgação.
Opção do chef Luiz Tomazelli. Foto: Divulgação.

Inspirações inusitadas

Da culinária peruana à alemã, passando por memórias afetivas como o costume de comer pastel ao descer a Serra da Graciosa em direção à Morretes, os referenciais utilizados pelos chefs que assinam os 10 pratos individuais da 2ª Edição do Morretes Chef garantiram versatilidade e muita inovação às opções deste ano. Veja, abaixo, as opções de pratos que foram criados para o festival:

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Opção do chefe Fernando Matsushita. Foto: Divulgação.

O chef Fernando Matsushita (Peruano) priorizou o ineditismo na confecção do cardápio para o Restaurante Empório do Largo, estabelecendo uma “ponte” entre Peru e Morretes. Para dar identidade e ao mesmo tempo brincar com os nomes, ele chamou a entrada de Festinha de maná-cubiu (ou Cocona morretense), uma criação cítrica e refrescante com esse tipo de tomate cortado em cubos, batata doce, azeitona, vagem e cebola roxa e o queijos de búfala, produzido pelo próprio restaurante.

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Opção do chef Lucas Cintra. Foto: Divulgação.

Já o chef Lucas Cintra (A Ostra Bêbada) se inspirou nas próprias memórias para criar, para o Restaurante Villa Morretes, uma entrada que leva o nome Pastel da Graciosa, a base de massa de pastel, barreado, vinagrete de açaí da Juçara. “Quando pensamos em Morretes, imaginamos em descer a Serra da Graciosa, o pastel no caminho e o barreado, é o conjunto que vem em mente”, explica. “Usar toda a planta do açaí da Juçara, não só o palmito, para fazer o prato foi outra escolha em busca do aproveitamento integral dos alimentos”, defende. Já o prato principal, o Barreado de siri, leva pirão de banana da terra e farofa de camarão. “Para brincar com a troca de proteínas”, resume o chef.

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Opção da chef Gabriela Carvalho. Foto: Divulgação.

A chef Gabriela Carvalho (Quintana Gastronomia) criou, para o Restaurante Bistrô da Vila, uma entrada, Dadinho de aipim com geleia de maná-cubiu e pimenta, para valorizar o uso da mandioca presente na região. O prato principal, Curry verde de banana da terra, pupunha, tubérculos da região e farofa de chips de banana crocante, teve como inspiração a relação que a chef percebe entre os sabores asiáticos e morretenses, além do uso de produtos que nem sempre são bem aproveitados. “Foi uma das cozinheiras que me apresentou o araçá local, perfumadíssimo e que eu desconhecia. Essa troca é valiosíssima, pois desperta um novo olhar para os ingredientes. Tanto que busquei mostrar o uso de algumas riquezas da região como o ora-pro-nóbis, que com a banana da terra dá um toque todo especial ao curry”, destaca.

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Opção do Chefe Marcelo Amaral. Foto: Divulgação.

O sul da Índia inspirou o chef Marcelo Amaral (Lagundri), para o Restaurante Casa do Rio, que propõe uma releitura do barreado para a entrada chamada de Barreadinho de Canoa com pescado do dia no lugar da carne sobre tostones de banana da terra. O prato principal, leva o nome de Shaolin do Porto de Cima, com Camarões salteados com gengibre e molho agridoce picante de maná-cubiu.

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Opção dos chefs Giovana e Guilherme. Foto: Divulgação.

Os chefs Giovana Smaka e Guilherme Ceschim (Biervit, Colônia Witmarsum) cumpriram o desafio de aproximar a culinária alemã da caiçara, para o menu do Restaurante Casarão. O resultado é uma entrada com salada de folhas, queijo asiago (produzido na colônia), crispy de banana da terra e molho de especiarias. Já o prato principal se inspira em uma receita servida no Biervit, o Kartoffelklösse (almôndega de batata doce roxa) com toda a influência do litoral, uma vez que no lugar da carne de porco está o filé de tilápia com pele e vinagrete de maracujá.

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Opção do chefe Dudu Sperandio. Foto: Divulgação.

O chef Dudu Sperandio (Ernesto Ristorante) preparou, para o Restaurante da Pousada Hakuna Matata, uma entrada de palmito pupunha assado com crosta crocante de banana da terra, queijo parmesão e com perfume de limão e gengibre. Para o prato principal, criou um nhoque de aipim com molho de barreado levemente picante, cubos de pupunha salteado na manteiga e chips de banana da terra.

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Opção do chefe Igor Marquesini. Foto: Divulgação.

Na visão do chef Igor Marquesini (do Restaurante Igor), que preparou o cardápio para o Restaurante Madalozo, o que mais chama atenção como símbolo de Morretes é a banana e ele teve como inspiração a bala para criar uma entrada diferente, o Patacon de banana da terra verde, prato colombiano, que lembra a batata frita. O prato principal é um peixe com pirão, farinha de Morretes e vinagrete de banana. “Pensei como uma batata frita, com uma maionese de alho fermentado por um mês para a entrada e para o prato principal também usei a banana mas em sua forma mais doce”, comenta.

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Opção dos chefs Vitor e Felipe. Foto: Divulgação.

Os chefs Vitor Verona e Felipe Machoski (Officina Restô Bar) elaboraram, para o Restaurante Olimpo, uma entrada de Ceviche de banana com beiju de tapioca. “A união dos sabores, o adocicado da banana com o gengibre, coentro, pimenta e o ácido do limão trazem toda a riqueza da Mata Atlântica ao prato. O crocante do beiju de tapioca com açafrão completa a homenagem para Morretes”, acredita Vitor. O prato principal é um peixe grelhado acompanhado de terrine de arroz e vinagrete de feijão fradinho.

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Opção da chef Renata Abreu. Foto: Divulgação.

A chef Renata Abreu (Palazzo Lumini) fez, para o Restaurante Ponte Velha, uma entrada de Croquete de Pupunha com vinagrete de Maracujá e pimenta. Já o prato principal é um cozido de raízes com camarão e ora-pró-nobis. Acompanham farofa de coração de banana e arroz. “Quis aproveitar ao máximo os ingredientes locais, produtos que a equipe da cozinha do restaurante trouxe do quintal de casa, tanto na entrada quanto no prato principal. Morretes e região são muito ricos de ingredientes”, destaca.

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Opção da chef Kika Marder. Foto: Divulgação.

Para completar o leque de opções da 2ª Edição do Morretes Chef, a chef Kika Marder (Sel et Sucre) assina o cardápio do Restaurante Terra Nossa com uma entrada de ravióli de barreado ao molho de laranja e gengibre e o prato principal é uma requintada mil folhas de mandioca, com camarões grelhados em azeite de ervas, pupunha e banana da terra.

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Serviço

2ª Edição do Morretes Chef
Quando: de 1º de agosto a 1º de setembro
Pratos: R$ 53 (Entrada+prato principal + Café Três Corações) ou R$ 106 (Prato para duas pessoas + dois cafés Três Corações)

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