São Paulo

– O cineasta Fernando Meirelles, que dirigiu Cidade de Deus, disse ontem que votaria em Peter Jackson, de O senhor dos Anéis – O Retorno do Rei, para a categoria de melhor diretor. Jackson concorre com o próprio Meirelles. No entanto, o brasileiro salientou que votaria também na montagem de seu filme.

“Votaria nele (Peter Jackson) como melhor diretor, sem onda. O cara junta emoção, uma realização fantástica de misturar tecnologia, com direção de arte, com concepção de imagem. Acho o cara extraordinário, mais do que merecido, acho que eu votaria nele”, afirmou em entrevista à rádio CBN.

Mas Meirelles lembrou que Cidade de Deus ganhou o Bafta, também chamado de Oscar inglês, na categoria montagem, concorrendo com O Senhor dos Anéis, Gangues de Nova York e Chicago. “Na Academia, se a gente tiver alguma chance, acho que é na montagem. A montagem do Daniel Rezende é realmente especial, não é à toa que ele está sendo assediado pelo mercado internacional”, acrescentou.

Além da língua

Para ele, as quatro indicações recebidas pelo seu filme (direção, montagem, fotografia e roteiro adaptado) rompem a barreira da língua. “Isso foi a coisa mais extraordinária, eu não tinha a mínima expectativa de que pudesse ter alguma nomeação, por ser um filme legendado. São muito raros os casos de filmes que conseguiram nomeações que não fossem para filme estrangeiro. Quatro nomeações para um filme legendado é muito pouco usual”, afirmou.

De acordo com Meirelles, “pouco a pouco o Brasil está entrando no mapa do cinema”. Ele disse que esse retorno ao circuito começou com Central do Brasil, de Walter Salles, e se confirmou com Eu, Tu, Eles: “Hoje as pessoas já pensam no Brasil como um lugar que faz cinema”, concluiu.