Feranando Meirelles, diretor

Como o limite de telas impactará o mercado nacional?

O gargalo do cinema brasileiro hoje não é mais a produção, mas a distribuição. Faz sentido tentar controlar a monocultura que vem tomando conta das nossas salas. Ao colocar Jogos Vorazes em quase metade das salas do País, os distribuidores deram um tiro no próprio pé. Agora, terão que aprender a viver com um limite de ocupação de salas. Mas ninguém vai quebrar.

É o momento certo para ela?

Poderia ter chegado antes. Ela não beneficia apenas o cinema brasileiro, beneficia principalmente o espectador, hoje privado de filmes menores, europeus, latino-americanos e documentários. Com menos salas ocupadas pelos blockbusters, mais títulos terão espaço. Esse negócio de só boi ou soja não dá certo.

É possível competir com os blockbusters sem a medida?

Para competir com mais chances, limitar a ocupação de salas foi uma boa ideia. Mas há outra, sempre em pauta, que seria taxar os distribuidores progressivamente, de acordo com número de salas ocupadas. Com um número de cópias, se pagaria extra para cada nova sala ocupada. Deixar de ser rentável ultrapassar umas 600 cópias. Elas funcionariam bem juntas.