A jaqueta de couro de Indiana Jones só ficou pronta na noite anterior ao início das filmagens de Os Caçadores da Arca Perdida (1981). Como a peça chegou ao set nova em folha, a figurinista Deborah Nadoolman Landis e o ator Harrison Ford passaram a noite danificando o couro com canivete suíço, escova de aço e lixa. Na manhã seguinte, quando Ford vestiu a jaqueta para encarnar pela primeira vez o arqueólogo aventureiro, o figurino caiu perfeitamente no personagem, dando a impressão que ele usava a roupa há anos.

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Essa e outras histórias envolvendo figurinos de filmes são lembradas na exposição Hollywood Costume, aberta ao público até 2 de março no edifício da Wilshire May Company Building, em Los Angeles. São cerca de 150 peças, abrangendo mais de 100 anos de cinema. A mostra inclui desde o fraque preto desgastado que Charles Chaplin usou para rodar o curta O Vagabundo (1915) até o traje criado por Judianna Makovsky para o protagonista de Capitão América 2: O Soldado Invernal (2014).

Foram mais de cinco anos para reunir a seleção de figurinos emblemáticos, vistos em 126 filmes. Como os estúdios de Hollywood costumam leiloar as roupas depois das filmagens, Landis, que assina a curadoria, precisou localizar os colecionadores particulares (cerca de 60), em várias partes do mundo. Além do primeiro filme de Indiana Jones, Landis assinou o guarda-roupa das produções Um Lobisomem Americano em Londres (1981) e O Quarto Poder (1997), entre outras.

Ao todo, mais de 80 designers têm seus trabalhos expostos, incluindo Sandy Powell (Gangues de Nova York, de 2002), Catherine Martin (Moulin Rouge, de 2001) e Deborah L. Scott (Titanic, de 1997). Outro destaque é a figurinista Edith Head (1897-1981), que atuou nos anos dourados de Hollywood. Logo na entrada da exposição, estão as oito estatuetas do Oscar que ela conquistou ao longo da carreira.

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Quatro produções com roupas criadas por Head estão representadas, incluindo o épico assinado por Cecil B. DeMille Sansão e Dalila (1950) e Os Pássaros (1963), de Alfred Hitchcock. Integra a mostra o terninho verde pálido usado pela atriz Tippi Hedren neste último título – onde Hitchcock preferiu um traje que passasse despercebido pelo público, para que nada o distraísse durante o ataque das aves. “Edith sabia como trabalhar com Hitchcock. Fazia de um jeito que o diretor achava que as ideias tinham partido dele”, disse Tippi, em depoimento em vídeo.

Vista pela primeira vez no Victoria and Albert Museum, o V&A, de Londres, Hollywood Costume está dividida em três seções. Act One: Deconstruction revela o processo de criação, exibindo (além das roupas) esboços, desenhos, trechos de roteiros e anotações dos figurinistas sobre pesquisa e inspiração.

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“Encontrei o roupão de banho do personagem The Dude numa loja popular”, lembrou Mary Zophres, que vestiu o ator Jeff Bridges em O Grande Lebowski (1988).

Act Two: Dialogue propõe analisar a colaboração entre diretores, atores e figurinistas. Graças aos depoimentos em vídeos, o visitante tem a impressão de acompanhar as conversas dos profissionais nos bastidores. Aqui há uma área dedicada exclusivamente a Meryl Streep, com peças que a atriz usou em A Mulher do Tenente Francês (1981), Entre Dois Amores (1985), A Dama de Ferro (2011), entre outros filmes. “Dou muito trabalho aos figurinistas, por sempre ter uma ideia formada do que a minha personagem vestirá”, contou Streep.

Act Three: Finale conta com alguns dos figurinos mais glamourosos de Hollywood, como o vestido branco esvoaçante de Marilyn Monroe em O Pecado Mora ao Lado (1955), uma criação do designer Travilla. A exposição termina com uma das peças mais cobiçadas da memorabilia da indústria do cinema: o par de sapatos vermelho rubi (um dos quatro originais criados por Adrian) de Dorothy Gale, usado por Judy Garland no clássico O Mágico de Oz (1939). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.