A Secretaria de Cultura do Estado do Paraná realiza a mostra ?Arquitetura do Isolamento em Curitiba na República Velha?, que está aberta no Museu Paranaense, em Curitiba. A exposição apresenta as instituições de isolamento surgidas na Capital durante a República Velha, e como os portadores de doença contagiosa ou mental, menores abandonados ou delinqüentes, mendigos e criminosos eram recolhidos em edifícios que tinham o objetivo de retirá-los do convívio com a sociedade e inseri-los em um processo de reabilitação.

Estão sendo apresentados objetos, documentos dos confinados, fotos, jornais de época e peças usadas em hospitais de isolamento, como camisa de força e aparelho de eletrochoque. Para discutir o tema da exposição, será promovido na próxima quarta-feira (19), às 18 horas, no Auditório do Museu Paranaense, o seminário ?Controle, Disciplina e Isolamento em Curitiba na República Velha?, que será dividido em duas partes.

A primeira do seminário será ministrada pela professora Maria Ignês Mancini de Boni, doutora em História pela Universidade de São Paulo (USP), que irá tratar do controle e estratégias de disciplina pelas instituições de isolamento na sociedade, e a constituição dessa rede de instituições para as chamadas ?classes perigosas?, em Curitiba, no início do século 20, no período da República Velha.

Na segunda parte do encontro, Elizabeth Amorim de Castro, arquiteta e doutoranda em História pela UFPR que escreveu o livro ?A Arquitetura do Isolamento em Curitiba na República Velha?, vai abordar em sua palestra as instituições que vieram a partir desse controle até os dias atuais. Ela vai explicar como ocorreu o processo de urbanização da cidade e a criação das instituições que existem até hoje.

Elizabeth diz que a intenção da mostra é explicar como funcionavam as instituições de isolamento que tinham por objetivo promover a reabilitação física ou mental por meio da disciplina, do trabalho e da vigilância da vida dos ?degregados? sociais. ?A pesquisa gerou o livro, que gerou a exposição no Museu Paranaense?, conta Elizabeth. O seminário é aberto à comunidade, com entrada franca.