Exposição Dois Reais abre hoje no Rio

“Empresa compra por R$ 1 entulho da demolição de prédio da UFRJ.” Ao ler a notícia, sete meses atrás, Matheus Rocha Pitta se sensibilizou. Dez anos antes, o artista plástico mineiro, recém-chegado ao Rio para estudar História, frequentara e fotografara o imponente edifício modernista – construído nos anos 50 para ser anexo do hospital universitário, inaugurado durante a ditadura militar, mas nunca utilizado, tornando-se um monumento ao desperdício e à obsolescência.

Considerava o vazio daquele espaço algo libertário, do qual usufruíam tanto crianças das favelas vizinhas quanto universitários.

Ele tinha acabado de ser convidado para expor no Paço Imperial, onde, em 2001, bem antes do reconhecimento internacional, estivera com sua primeira individual. Tão logo leu a matéria de jornal, foi ver de perto os escombros daquela “ruína natimorta”, como enxerga o crítico Sergio Bruno Martins.

Ao se deparar com as cem mil toneladas de concreto prestes a serem moídas para reciclagem pela empresa Britex, sentiu-se melancólico, e pediu para que lhe cedessem uma parte, antes de tudo ser devolvido à construção civil para futuras edificações. Acabou pagando R$ 400 por três caçambas de rachão e brita, o resto do concreto, dispostos na exposição Dois Reais, a ser aberta hoje, às 18h30. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

Paço contemporâneo – Felipe Barbosa, Maria Lynch e Rosana Ricalde, entre outros, também estão em cartaz.

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