A nova trama também é ambientada na primeira metade do século passado, na década de 30. E se passa na fictícia cidade mineira Passaperto. ?Desde a TV Tupi, eu me deliciava com as histórias de Passaperto, contadas por Lima Duarte. O nome é apelido da cidade de Sacramento, no triângulo mineiro?, explica o autor. A trajetória do prefeito Viriato, feito pelo próprio Lima Duarte, e seus grandes embates com a poderosa matriarca Cândida, interpretada por Eva Wilma, é um dos focos do folhetim.
A parte religiosa da história se dá quando Ana, personagem de Letícia Sabatella, pede desesperadamente um filho à Santa da Gruta, uma milagrosa gruta da cidadezinha, e seu pedido é estranhamente atendido. O acontecimento chama a atenção de padre Inácio, de Marcos Caruso. Para investigar o caso, ele pede ajuda de um amigo, padre Miguel, de Murilo Rosa. Sua chegada à cidade é responsável pelo desenrolar da história. ?Demos sorte com o elenco. A maioria dos atores já havia sido escolhida enquanto a sinopse era escrita?, valoriza Marcos Paulo.
Além das tramas centrais, Walther Negrão também aborda mudanças históricas no contexto da época. A grande influência do trabalho de Freud na psiquiatria é um dos temas do folhetim. ?Faço o Escobar. Ele é um médico que segue a filosofia de Freud. Ele prega uma relação bem menos preconceituosa entre médico e paciente, uma coisa inovadora no momento?, explica o ator Alexandre Borges. As mulheres avançadas, com cabeça à frente do tempo retratado, também têm espaço. ?A Tereza não se conforma com o desejo do casamento. Ela quer curtir a vida?, descreve Fernanda Paes Leme sobre sua personagem. A atriz fez aulas de prosódia para pegar o sotaque mineiro.
Bem mineiro também será Agemiro, o bom-moço da cidade. Feito por Emílio Orciollo Neto, o rapaz é bondoso, tímido e se apaixona pela personagem Florinda, interpretada pela Grazi Massafera. ?Na verdade, é um triângulo amoroso. A irmã de Florinda também entra na história?, conta Emílio, sobre a inclusão de Eulália, interpretada por Ana Lima.
Desejo proibido marca uma nova parceria. Esta é a primeira vez em que Walther Negrão e Marcos Paulo trabalham juntos como autor e diretor. Porém, quando trata-se de Marcos Paulo como ator, esta não é a estréia do encontro. Em novelas como Despedida de solteiro, de 1992, e em O primeiro amor, de 1972, os dois trabalharam juntos. ?Ter ?Marquinhos? cuidando da novela é um sossego porque nos entendemos só pelo olhar. Dessa forma, é mais tranqüilo um projeto dar certo?, torce o autor.