A conservação de uma estrada pedagiada é bem melhor do que a de uma não pedagiada. Não necessariamente. Foi o que mostrou a quarta matéria da série de reportagens do programa Tribuna na TV, da TV Iguaçu, sobre as estradas paranaenses, apresentada ontem.
Na média, as rodovias não pedagiadas estão num estado de conservação assustador. Entretanto, algumas exceções como a PR-445 de Mauá da Serra a Londrina e a BR-376 de Curitiba à Joinville estão em condições iguais ou até melhores que aquelas em que se cobra pedágio.
A viagem da repórter Renata Bonacin, do repórter cinematográfico Irany Carlos Magno e do motorista Geraldo Xavier começou no trecho de Jaguariaíva até Santo Antônio da Platina, pela PR-151. Foram 140 quilômetros de buracos. Assim que acaba a concessão da Rodonorte, a rodovia vira um caos. A reportagem definiu o trânsito pela PR-151 como uma viagem arriscada, demorada, cara e muito tensa. “A estrada é boa. O caminhão chegou inteiro, só caiu metade dos paralamas, mas cheguei”, ironizou o caminhoneiro Alcindo Haile.
O dono de um restaurante da região, Altamir Miranda, alertou para um problema maior. “Os caminhoneiros acabam evitando vir para cá. Preferem ir ao Porto de Santos. Então perde o comércio, perde o Estado e o Porto de Paranaguá”.
A rodovia que leva de Campo Mourão a Pitanga é administrada em parte pelo governo federal. Nela a reportagem identificou uma pista simples, sem acostamento ou com acostamento ruim. Em alguns pontos o mato quase invade a pista e encobre as placas.
Na PR-460 a situação também é precária. A rodovia com administração estadual é só buracos. Não é possível desviar deles nem andando devagar. O advogado José Cláudio Siqueira conhece bem a estrada, mesmo assim teve três pneus estourados na mesma noite. Primeiro perdeu dois, conseguiu um substituto com um amigo, andou mais um pouco e estourou o terceiro.
Exceções
Na PR-445 que liga Mauá da Serra a Londrina a equipe encontrou uma pista boa, com asfalto bom, acostamento e sinalizada por 75 quilômetros. “A situação com relação ao asfalto e sinalização está boa. Não há buracos na pista”, afirmou o zootecnista Fábio Roja Sussel.
A BR-376 é uma opção para os motoristas que querem ir ao litoral do Estado sem pagar pedágio. A estrada é duplicada em todo o trecho paranaense, o asfalto é razoavelmente bom, existe acostamento e sinalização. Mesmo com alguns problemas nas barreiras que dividem as pistas, a rodovia foi muito elogiada pelos motoristas.
Hoje, o Tribuna na TV apresenta às 12h30 a última matéria da série. Além do impacto econômico da privatização das estradas, a reportagem vai mostrar o que pensam governo do Estado e Associação Brasileiras das Concessionárias de Rodovias (ABCR) sobre os sete anos da cobrança de pedágio no Paraná.
Estado deve investir R$ 240 mi
O governador Roberto Requião e o secretário dos Transportes, Waldyr Pugliesi, informaram que os investimentos a serem realizados neste ano na restauração e recuperação de rodovias do Paraná devem chegar a R$ 240 milhões Os recursos são provenientes do Tesouro do Estado, do Banco Mundial, de convênios com o Detran e de repasses da Cide, o chamado “imposto sobre combustíveis”.
A previsão foi feita nesta semana durante reunião do Conselho Revisor do governo do Estado. Segundo o secretário Waldyr Pugliesi, a maioria dos programas já está em andamento: “Só com recursos do Detran, por exemplo, deveremos recuperar cerca de 400 quilômetros de rodovias. Outros 900 quilômetros serão restaurados utilizando verbas de diferentes fontes”, informou.
O diretor-geral do DER, Rogério Tizzot, acrescentou que, além de aplicar esses investimentos, o Paraná deve iniciar também neste ano um novo programa rodoviário: “Devemos licitar nos próximos meses a recuperação de mais 2 mil quilômetros de rodovias, dos quais 300 quilômetros poderão ser concluídos até dezembro”.
Ainda de acordo com Tizzot, a empresa vencedora da concorrência terá um prazo de 20 meses para executar as obras e irá utilizar asfalto modificado e pavimentação de borracha ou asfalto ecológico. “São técnicas que vão garantir uma durabilidade maior as rodovias estaduais”. No caso do asfalto de borracha, o pneu é usado como matéria-prima. “É também uma solução ambiental para o pneu usado”, arremata.


