Em Veneza, protestos contra poder de americanos

Depois de uma noite de inauguração sob protestos, o Festival de Veneza segue nesta quinta-feira ainda com ameaças de mais manifestações. Na quarta, dezenas de ativistas tomaram conta do tapete vermelho do principal cinema do festival para protestarem contra a globalização, a riqueza e o poder de divulgação de Hollywood. Eles reclamam também dos sucessos de bilheteria dos filmes americanos de grandes orçamentos e dos preços das entradas.

O protesto, que deve continuar nesta quinta-feira, teve ainda um automóvel estacionado na frente do cinema, ornamentado como uma nave pirata. As estrelas de Hollywood Tom Hanks e Steven Spielberg, que inauguraram o festival com a exibição de O Terminal, não intimidaram a ação dos anticapitalistas.

“Este deveria ser um evento aberto para todos, e não um espetáculo de ostentação de riqueza e poder de Hollywood. Haverá mais interrupções, queremos que ouçam nossa voz” disse na quinta feira Lucas Casarini, um dos organizadores dos protestos.

Uma ameaça de bomba também forçou as autoridades a fechar temporariamente o cais onde as estrelas chegam em barcos-táxi. Depois, ficou comprovado que tudo não passou de um falso alarme e o evento prossegue normalmente.

Ontem, a disputa pelo Leão de Ouro começa com Delivery, do grego Nikos Panayotopoulos, drama que narra a história de um entregador de pizzas num bairro pobre de Atenas, e 5×2, longa do francês François Ozon (o mesmo de Swimming Pool) que aborda as cinco estapas de um ralacionamento. Um dos filmes mais esperados dos 21 que concorrem no festival é Landy of Plenty, uma visão crítica dos Estados Unidos depois dos ataques de 11 de setembro de 2001, do alemão Wim Wenders.

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