Em meio à crise do coronavírus e no mesmo dia em que trocou o comando do Ministério da Saúde e atacou o presidente da Câmara, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) encerrou a quinta-feira (16) prestando solidariedade ao cantor sertanejo Gusttavo Lima.

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Na terça-feira (14), o Conar, órgão de regulamentação publicitária, abriu uma representação ética contra o cantor e a fabricante de cervejas Ambev, por possíveis irregularidades em relação ao consumo de bebida alcoólica nas transmissões ao vivo pela internet apresentadas pelo músico durante o período de isolamento social.

O processo foi aberto após dezenas de denúncias de internautas, envolvendo desde a falta de mecanismo para o acesso de menores de idade até o consumo excessivo de bebidas por Gusttavo Lima, o que poderia ser considerado um estímulo ao consumo irresponsável.

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“Minha solidariedade ao cantor Gusttavo Lima, que vem sendo injusta e covardemente atacado após a grande live que fez dentro de sua própria casa. Ele e outros artistas sertanejos e de demais gêneros têm sido grandes heróis nessa luta contra a Covid-19 e merecem aplausos!”, escreveu Bolsonaro, após uma maratona de quatro entrevistas e uma live em rede social para promover seu novo ministro da Saúde, Nelson Teich, que assumiu a pasta após a exoneração de Luiz Henrique Mandetta.

“Tomaram uma iniciativa espontânea louvável, demonstrando amor pelo seu povo e país, levando entretenimento e conforto para a casa de milhões de famílias neste momento de estresse, além de arrecadarem toneladas de alimentos e promoverem grandes doações. O Brasil agradece!”, prosseguiu o presidente na postagem.

Censura

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Gusttavo Lima retuitou a publicação de Bolsonaro. Mais cedo, o cantor afirmou via Twitter que não fará mais lives para evitar ser censurado.

“Acho que o grande segredo da live é tirar o lençol do fantasma. Acho que uma live engessada e politicamente correta não tem graça. O bom são as brincadeiras, a vontade, levar alegria, alto astral para as pessoas que estão agoniadas nesse momento. Não farei live pra ser censurado”, escreveu ele em seu perfil na rede social.

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“Juntos, ajudamos muitas pessoas. Foram toneladas de alimentos e arrecadações… Fizemos nosso papel, Deus abençoe a todos”, afirmou em seguida.

Procurado, o cantor afirmou, por meio de sua assessoria, que “os esclarecimentos necessários serão prestados conforme determinado na referida citação”. “O departamento jurídico está acompanhando o caso, tratando-se, portanto, de uma citação de processo administrativo e não se trata de processo judicial.”

Já a Ambev afirmou que tem patrocinado algumas lives nesse momento de quarentena “sempre com o cuidado de assegurar as medidas de higiene e distanciamento social e com a devida orientação prévia aos artistas sobre as regras do Conar de publicidade de bebidas”. Mas destaca que “em algumas lives, de forma totalmente espontânea, algumas orientações não foram seguidas”.

Filhos do presidente da República, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) já haviam prestado solidariedade ao cantor em suas redes sociais.